Umas das qualidades mais ambicionadas por quem quer subir na vida é ser apontado como uma ‘‘pessoa chique’’. Difícil, porém, é conseguir sê-la em toda a sua dimensão. Alguns pensam que, para ser chique, é preciso ter muito dinheiro, que a palavra está ao alcance do bolso. Outros acham que basta ter nascido com um bom sobrenome para ter para o resto da vida esta garantia. E há aqueles que não estão nem aí, são o que são e basta. É justamente esse tipo de pessoa que é chique.
Ser chique não é frequentar os lugares mais badalados e ser fotografado pelas revistas de fofoca. É exatamente o contrário. É ir a esses lugares ou ainda a alguns que ninguém conhece e poder desfrutar os maiores prazeres da vida sem passar ‘‘recibo’’. Como por exemplo, em Nova York há uma infinidade de hotéis maravilhosos, caríssimos e que garantem o maior status de chique para quem tem poder de fogo para hospedar-se neles. E há aqueles igualmente caros, mas que não têm a fama de ‘‘ricos e famosos’’ que os outros. É exatamente nesses menos badalados que os chiques estão ficando. A idéia é desfrutar das oportunidades que o dinheiro dá, sem aparentar. É passado querer mostrar que se está por cima, quando, no mundo inteiro, e principalmente no Brasil, as coisas andam difíceis até na hora de comprar comida. Todo mundo sabe que a dificuldade em fazer as compras do mês não é mais somente dos pobres, a classe média agoniza e muitos que eram das ‘‘altas’’ já não conseguem mais manter o mesmo padrão.
Para quem sempre foi chique e nunca ostentou, é mais fácil passar despercebido. Agora imaginem para quem ostenta, o que é ter trocar o croissant pelo pão simples? É uma loucura e uma dificuldade ter que adaptar-se a uma situação nunca desejada.
Então, se a vontade é tornar-se um aprendiz de chique, valem as dicas: se você for comprar uma roupa cara, não invista em peças muito chamativas. Elas podem ser caríssimas, mas não devem trazer monogramas que mostrem quanto você pagou. Até uma das marcas mais famosas do mundo por seu monograma LV, a Louis Vuitton, resolveu rabiscá-lo. É uma consciência de negar a marca e simplesmente valorizar o prazer de usar peças bonitas e que dêem a maior pinta. Todo mundo que vem para Nova York sabe o quanto custa caro uma peça de grife e também o quão perfeitas são as imitações delas. É melhor ser original usando uma peça de uma ponta de estoque como a famosa Century 21 do que ser fake usando uma bolsa Prada comprada no submundo das falsificações que é Chinatown. Júlia Roberts, por exemplo, foi chiquérrima à festa do Oscar deste ano, ao usar um vestido de brechó de Valentino. Está no ar, a idéia é reaproveitar, ser diferente e, acima de tudo, não pagar muito pelo que é copiado e vendido na esquina por um preço muito mais barato.
O que dá status é a atitude, a forma como você pega a taça de vinho, e não o preço que você paga por ele. É esse o momento e esse o clima que toma conta dos lugares mais chiques da cidade mais famosa do mundo.

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