Sensibilidade em estado bruto
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2008
Gabriela Germano<br> TV Press 
No sítio onde mora próximo a Teresópolis, cidade da Região Serrana Fluminense, Jackson Antunes tem a tranquilidade com que gosta de levar a vida. É um homem extremamente pacífico no lidar com a família, no jeito de ser e até no de falar. Mas o senhor que o empurrou e o machucou há alguns dias em plena rua, só tinha em mente o violento Leonardo, personagem que o ator interpreta em ''A Favorita''. Na novela, Jackson bate em Lilia Cabral, que dá vida à submissa Catarina. Mas foi na realidade que o ator sofreu as consequências disso. ''Tive uma lesão na perna direita, gravei algumas cenas apoiado na cadeira de rodas e sentindo muita dor'', resume o ator.
O desagradável episódio passou, mas o personagem continua emocionando Jackson. ''Acho oportuno reerguer a discussão sobre a violência doméstica'', afirma. ''Geralmente só quando o problema se volta também para os filhos é que as mulheres deixam de suportar''.
Ele conta que a carga de emoção nas cenas da novela é alta. E cria seus próprios mecanismos para fazer o que é ficção parecer a mais cruel realidade.
O treino a que Jackson se refere vem de um drama. Há quase 40 anos, por causa de uma perda, o ator entrou em depressão e passou a sofrer de síndrome de pânico. ''Me levaram para terreiro de macumba, me encheram de remédio, mas eu fui ler sobre o assunto'', recorda. E pesquisando, ele diz que passou a entender o que tinha, viu que podia dominar essas sensações e usá-las a seu favor. ''Hoje levo essas sensações para meus personagens. As pessoas têm pânico e não saem de casa. Mas é só se conhecer para levar tudo isso no cabresto'', opina, ao dizer que aceita contestações de psicólogos entendidos no assunto. ''Os especialistas podem me contestar porque não sei explicar. Mas uso tudo isso na prática com meus personagens. E dá certo''.
Ainda na infância, a primeira manifestação artística que deixou Jackson Antunes maravilhado foi o circo. Na pequena cidade mineira de Janaúba, onde nasceu, ele descobriu o mundo dos picadeiros não só como público, mas também como ator. Foi debaixo de uma lona que ele fez suas primeiras apresentações. E ele não demorou para se iniciar no teatro amador.
Jackson Antunes não nega as raízes interioranas no jeito de falar, de se comportar, no chapéu de couro quase inseparável que carrega e na música que ouve e produz. O ator adora viola, já gravou oito CDs de música caipira e faz shows pelo interior do Brasil. ''O último trabalho foi gravado há dois anos, a abertura do CD foi feita pelo compositor Lenine e canto canções de dois poetas paraibanos chamados 'Os Nonatos''', conta ele.
O que destoa um pouco de toda essa história é o nome artístico meio americanizado que o ator - Joaquim de nascimento - adotou. Mas até essa escolha foi influenciada pelos músicos que ele gosta de ouvir, como a dupla Léo Canhoto e Robertinho, que revolucionou a música sertaneja principalmente na década de 70, ao se apresentar com roupas de caubói e óculos escuros. ''Eles tinham uma música chamada 'Jack - O Matador'. Achava esse nome lindo e adotei Jackson. Hoje não faria mais isso'', diz o ator aos risos.
O senhor que me agrediu parecia muito bem informado. Tanto que no início achei que ele estava brincando. Ele falava dos políticos, do Daniel Dantas. Vi a indignação dele e até concordei, porque também fico revoltado com tantos escândalos. E quando ele me viu não se segurou. Eu estava ali e acabei
pagando o pato


