Semeando para o futuro
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de julho de 2011
Elaine Souza <br> Reportagem Local 
No alto dos seus 46 anos, dos quais 21 dedicados a pesquisas na Embrapa Soja, em Londrina, o gaúcho Alexandre Lima Nepomuceno integra o célebre time de cientistas brasileiros capazes de opinar com propriedade sobre biotecnologia vegetal.
Nas próximas semanas ele embarca para os Estados Unidos, com estadia de dois anos em San Francisco. Lá, vai desempenhar suas atividades na Agência de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA, especificamente no Centro de Expressão de Genes de Plantas.
''Minha função é tentar nuclear grupos de pesquisas. Se eu perceber que algum pesquisador de lá, da minha área, está desenvolvendo uma tecnologia que vai impactar na agricultura brasileira, eu faço a aproximação com os pesquisadores daqui. Brasil e Estados Unidos competem muito em várias áreas, mas podemos trabalhar em conjunto também'', diz o pesquisador.
Os estudos que Nepomuceno vai desenvolver nos Estados Unidos têm como base os ciclos circadianos da soja, o que está relacionado ao ciclo biológico da planta (24 horas) e sua influência pela luz solar. ''Queremos entender melhor o funcionamento dos relógios moleculares que regulam a atividade da planta e como estes mecanismos influenciam as respostas da soja à seca, alagamento, ataque de insetos, entre outros estresses'', conta.
Para os cientistas e, consequentemente, a agricultura brasileira, tal estudo é de extrema importância, uma vez que, segundo Nepomuceno, compreender a interação desses genes de resposta é de grande valia para se desenhar estratégias de engenharia genética visando mitigar a ação desses estresses que causam prejuízos à soja.
''A região Sul é a que mais sofre com a seca. Nos últimos 10 anos são mais de 18 bilhões de grãos que deixaram de ser colhidos por causa desse mal. As tecnologias que estão vindo pela frente podem, e muito, impactar o agronegócio'', explica.
A missão do brasileiro na América também envolve a responsabilidade de auxiliar uma iniciativa inédita em cooperação científica internacional, que nada mais é que formar ''clusters'' de pesquisa, que inserem pesquisadores seniors, vinculados ao Laboratório Virtual nos Estados Unidos (EMBRAPA Labex USA) para liderarem grupos de cientistas brasileiros em doutorado é pós-doutorado.
''Estamos aumentando a capacidade dos cientistas com experiência internacional. Mas ainda é pouco. Para cada cientista brasileiro, a China e os Estados Unidos, por exemplo, possuem 100. O nível de investimento é muito pouco. É preciso ter formação de massa. Você não vê ciência sendo discutida. O Brasil tem falta de visão nesse campo''.
Graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Nepomuceno fez doutorado na Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos, e pós-doutorado no Centro de Pesquisa em Ciências Agrícolas do Japão. É também docente do curso de Genética e Biologia Molecular da Universidade Estadual de Londrin (UEL) e compõe a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
''Minha dedicação ao que faço é total. Trabalho praticamente 'full time'. Ir para os Estados Unidos participar desses estudos é incrível. Profissionalmente, é maravilhoso'', comemora.


