Sede de mudança
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sábado, 11 de abril de 2009
Márcio Maio<br> TV Press 
Experimentar outras possibilidades de interpretação. Essa parece ser a filosofia que Regina Duarte adota atualmente em sua carreira. Famosa pelo título de Namoradinha do Brasil no início década de 70, a atriz não parece mais se preocupar em aparecer sempre como a boa mãe, que dá a vida pelos filhos ou pessoas próximas. Daí ter recusado de cara o convite para viver a sábia e espiritualizada Virgínia de Três Irmãs. O papel acabou nas mãos da colega Ana Rosa e o autor Antônio Calmon ofereceu para Regina a misteriosa Waldete. ''Quando li, vi que já tinha feito várias mulheres iguais àquela. Era como as Helenas do meu currículo'', analisa Regina.
Agora, na reta final da novela, Regina continua com a ideia de diversificar seus trabalhos. A atriz deixa claro que, aos 62 anos, ainda tem muitos anseios na vida profissional. E um deles é interpretar uma grande vilã, posição que rejeitou no passado. ''Acho que hoje estou madura para isso. Antes não queria causar estranhamento nas telespectadoras que se acostumaram a me ver como mocinha'', explica.
Porém, ela faz questão de salientar que não era o fato de ser considerada Namoradinha do Brasil que a fazia rejeitar papéis de vilã. ''Meu problema não era o título, mas o que o trouxe a mim. Foi consequência de uma postura, de uma carreira construída com papéis do bem, batalhadores, paradigmáticos, de bons valores. Acho que o público em geral, e eu mesma também, criamos uma expectativa em relação aos meus trabalhos. Então eu ficava pensando que aparecer na pele de uma vilã poderia causar uma decepção. Sempre entendi que elas esperavam nos meus papéis esses valores, posturas, enfim, algo positivo que as ajudassem a resolver seus problemas. E eu sempre me preocupei com essa imagem. Entretanto, com o tempo entendi que a televisão, para o bem ou para o mal, educa. Faz pensar, causa identificação. E os maus exemplos também entram aí, para que ninguém faça igual'', argumenta.
Quanto a fama de ''chata'' entre seus colegas, ela reconhece que existe, sim. ''Percebo em pequenas sutilezas das pessoas no comportamento comigo. Tento tirar isso com a minha postura, o meu trabalho e o meu relacionamento com a equipe. Na verdade, acho que isso surgiu em função de uma série de privilégios que conquistei ao longo da minha carreira. Coisas que não exigi, me foram ofertadas''.
Regina Duarte mostra emoção ao lembrar do início de sua trajetória artística. Filha de pais rígidos, a atriz conta que não foi difícil convencê-los a deixá-la se aventurar na televisão ainda na adolescência. Mas até seu primeiro casamento sempre teve algum parente acompanhando-a em todos os trabalhos.
O apoio da família veio, segundo a atriz, por uma visão progressista do pai militar em relação à arte. ''Ele acreditava nela como uma reformadora da sociedade. Uma espécie de veículo de contribuição para o desenvolvimento da humanidade'', filosofa. E sua criação foi repleta de princípios éticos, morais e religiosos. O que, de certa forma, pode ter contribuído para sua trajetória de ''boa moça'' na televisão. ''Eles queriam me passar sempre valores bons. Me cobravam um bom comportamento'', confessa.
Regina sempre pensou em escrever um livro. Porém, até hoje, ainda não conseguiu colocar seu desejo em prática. ''Não pude criar condições para que isso acontecesse. É um ato que exige silêncio, quietude, solidão'', analisa, mas não nega que esse seja um dos seus principais objetivos atuais. E chega a demonstrar interesse em, possivelmente, pensar em algo voltado para a teledramaturgia. ''Não deixa de ser literatura'', esclarece. Enquanto não avança nesse sonho, ela treina a escrita em seu blog. Na página http://bloglog.globo.com/reginaduarte, ela aproveita para interagir com os fãs e manifestar suas opiniões e pensamentos. Por isso mesmo, é comum vê-la com uma câmara digital, tirando fotos para, depois, postá-las. ''Esse contato com o público me faz muito bem'', revela.


