Saudosista conformado
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de junho de 2010
Márcio Maio<br>TV Press 
Para Elias Gleiser, não se faz mais televisão como antigamente. Aos 76 anos de idade e mais de 50 de profissão, o ator não esconde o ar saudosista na hora de traçar sua trajetória na tevê. No ar como o motorista Diógenes de ''Passione'', da Globo, Elias ainda solta algumas gargalhadas quando rememora passagens da época em que tudo ia ao ar ao vivo, incluindo os teleteatros bíblicos que marcaram sua estreia na TV Tupi, no programa ''Teatro da Juventude''. Na época, para mostrar Moisés atravessando o Mar Vermelho, duas caixas de lona foram cortadas para simular as águas se abrindo.
Talvez ainda dessa época Elias tenha ganhado a fama de ser ''expert'' em personagens religiosos. ''Se recebo uma sinopse e vejo que há um padre, nem pergunto quem vai fazer: o papel é meu'', brinca ele, que marcou presença em mais de quarenta produções, entre séries, minisséries e novelas. Com uma carreira na tevê iniciada em 1959, muitas foram as vezes em que se empenhou em meio a diversas tarefas acumuladas. ''Nós atores é que anotávamos, atrás do texto, o que tínhamos usado. Antes, tínhamos um único contrarregra. Agora, são mais de 10 batendo cabeça'', argumenta.
Por isso mesmo o ator não tem dúvidas na hora de responder que mudança mais o incomoda daquela época para agora. ''A televisão de hoje fabrica celebridades e não artistas. Não ter talento, até vai. Mas irresponsabilidade eu não aguento. Ninguém decora texto às minhas custas. Antigamente, se você não chegasse pronto, não trabalhava mais com aquelas pessoas. Nunca mais''.


