Coletiva de lançamento da novela ‘‘Estrela Guia’’. Um batalhão de fotógrafos segue Sandy por onde quer que ela vá. Ajudada por um assessor particular, ela se livra deles para enfrentar o batalhão de repórteres. Nada muito diferente do que passa uma Vera Fischer ou qualquer outra protagonista de novela da casa, exceto pelo fato de Sandy ser uma estreante no gênero.
Quase sem maquiagem, ela responde a tudo com tranquilidade. Nega ter dublê para cenas de sexo ou para ficar em seu lugar durante as demoradas marcações de câmera, antes das gravações. ‘‘Faço tudo o que todos fazem’’, afirma. Com a mesma naturalidade, diz que não há hipótese de a novela ser esticada porque a data do seu último dia de trabalho na produção consta no contrato que assinou com a emissora. Isso, nunca uma Vera Fischer conseguiu.
Tamanho poder provocou fofocas de ciúmes na equipe. Não por acaso, atores, diretores e a autora fizeram questão de ressaltar a união do grupo e elogiar a atuação de Sandy. Para ela, fazer a novela é ‘‘realizar um sonho’’. Já sua realidade é o lançamento da carreira internacional como cantora, esse sim, um palco em que é veterana.
Sandy é literalmente a estrela guia desse projeto. Tanto que, segundo Ana Maria Moretszohn, autora da novela, a diretora-geral da Globo, Marluce Dias da Silva, havia determinado que, se a cantora não pudesse participar da produção agora, a trama ficaria à espera de uma brecha na agenda da moça.
Curiosa pelo chamado universo místico, Sandy se deixou influenciar por um dos locais de gravação da novela, a ponto de, pela primeira vez, meditar. Gostou da oportunidade de sair um pouco do ‘‘mundo agitado’’, mas que ninguém se engane. Ela não quer deixar essa agitação por nada. ‘‘Eu não quero parar’’, afirma, durante a entrevista que também foi encerrada pelo assessor particular.

Fazia parte dos seus planos seguir de fato a carreira de atriz e fazer uma novela?
Eu diria que não fazia parte dos planos, mas era um sonho. Não necessariamente de fazer uma novela, mas de interpretar. Eu já faço um seriado, em que tinha de interpretar de acordo com minha personalidade. Agora, é uma personagem completamente diferente e isso me encanta muito.
Como concilia a agenda de cantora com as gravações?
Os shows só começam no fim do mês. Além disso, a novela é curtinha. Estou gravando todos os dias da semana, até porque vou ter de voltar a gravar o seriado também. Depois da estréia, passarei a gravar a novela três vezes por semana.
Novelas costumam ser esticadas. Se essa fizer sucesso e quiserem esticar, como fica o seu esquema?
Não será esticada porque está estabelecido no contrato.
Além de determinar a data do fim da novela, que outras exigências você fez?
Não houve exigências, apenas defini dias e horários de gravação.
Você fez alguma restrição quanto à realização de cenas românticas, com beijos, nudez, coisas desse tipo?
Não, porque em novela das 6 não há esse tipo de perigo. Há beijo, mas eu dou beijo na boca na vida real, então, não tem problema (risos).
Você tem ou não uma dublê para cenas de nudez?
Não há cena de nudez. Tive uma cena de banho de cachoeira, mas eu estava de roupa. Eu tenho uma dublê, mas ela não trabalhou até agora, ou melhor, ela fez uma cena com uma onça, que eu já tinha feito, mas precisaram refazer porque deu um probleminha e eu já tinha ido embora.
Têm sido publicadas notas dizendo que você só chega na hora de gravar para não ficar esperando. Isso é verdade?
Não. Eu chego junto com todos os atores, espero o que for preciso esperar, na hora de marcar a cena sou eu quem vou e gravo o que tiver de gravar. Participar da marcação é bom para mim porque funciona como ensaio e é bom saber o que tenho de fazer.
Você teria topado a proposta da Globo se a personagem fosse uma vilã?
Sinceramente, não sei responder. A proposta que me chegou, de fazer a Cristal, foi o que me motivou a aceitar. Se fosse outra coisa eu não sei como bateria em mim.
Você e Júnior vão mesmo partir para carreira musical internacional?
Sim, mas isso só vai ocorrer depois que acabar a novela. Estamos escolhendo o repertório para lançar o CD no começo de 2002. Vamos cantar em inglês e já temos sete músicas definidas. Uma delas, ‘‘Insane’’, é minha, que fiz com meu irmão. Meu pai já fez a versão em português com o título ‘‘Na Boa, Sem Chorar’’, para lançar aqui.
É verdade que em Pirenópolis você se envolveu tanto com o clima esotérico do local, que conseguiu meditar?
A cidade é toda mística. Só de estar lá foi um laboratório para fazer a Cristal. O lugar tinha um clima de paz e harmonia muito bacana. Nós tivemos uma aula de meditação e foi aí, nessa única vez que tentei meditar, que consegui. Foi muito emocionante perceber que é possível sair desse mundo material e entrar num outro estágio. Espero meditar mais vezes porque ajuda muito. Eu vivo de uma forma muito agitada.
Só depende de você ter um ritmo menos agitado. Você poderia parar com tudo, se quisesse.
Mas eu não quero parar.

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