Curitiba - Um detesta paletó, o outro também. Um adora camiseta preta, o outro é conhecido pelas camisas jeans, ou melhor, chambrey que usa. Fora estes pequenos detalhes que aproximam e separam o atual governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), e o governador eleito, Roberto Requião (PMDB), o que mais pode caracterizar a mudança que está prestes a acontecer no Palácio Iguaçu?
Lerner passa o bastão no dia 1º de janeiro de 2003 encerrando também uma era comportamental que marcou seus oito anos ininterruptos de governo. Uma era onde as mulheres detiveram muito poder. Saem Fanis, Mônicas, Cilas, Emílias, com suas roupas de grife e jóias feitas por artesãos locais, e entra o estilo bonachão de Orlando Pessuti (PMDB), o vice-governador eleito. Sai um estilo elitista e entra o aparentemente popular.
Desde que não contrariado, Lerner é considerado uma pessoa de bom trato. É também um bonachão na maior parte do tempo. Mas de seus assessores não se pode dizer o mesmo. Dia desses, em meio a um evento de lançamento de uma obra de seu governo, uma de suas secretárias fez jus à fama construída pela ''Era Lerner''. Diante de um convidado de outro Estado, a conhecida senhora puxou um jornalista da cidade e, sem fazer rodeios, soltou a prepotência: ''o Lerner mandou você entrevistar o fulano''. Típico comportamento de vários subalternos que servem este governo.
Na gestão do genioso Requião vão predominar os churrascos na casa de gente como o deputado estadual Caíto Quintana (PMDB). Homem de confiança de Requião, cotado para dirigir a Casa Civil, Quintana é conhecido pelo seu jeito simples. Suas festas são sempre marcadas pela presença de alguém tocando gaita e por reunir pessoas do alto escalão aos motoristas que trabalham com eles. Sem frescuras, eles preferem pegar pelo braço o churrasqueiro e elogiá-lo em público. Não há elitismo nestas relações.
Não que Requião não goste de sofisticação. Reconhecidamente gourmet, o novo governador do Paraná é amante de bons restaurantes e gosta de coisa boa. Adora um vinho tinto, mas reclama dos preços, o que já lhe rendeu a fama de sovina. Lerner não. Gosta de botecos. É fiel ao lugares que frequenta. Adora comer. É um ''bom garfo''.
Perdendo poder, a ala feminina que vai entrar em voga é mais discreta. Elas não devem aparecer muito. Festas beneficentes com estilistas convidados? Podem esquecer. Requião já demonstrou publicamente o caráter feminino que pretende colocar em alta: Zilda Arns. Embora ela não tenha aceitado ser a secretária da Criança e Assuntos da Família, o convite já é um indicativo de que sai o estilo italiano da chique grife Max Mara para entrar mulheres mais simples no aparecer e no vestir.
A próxima primeira-dama, Maristela Requião, não é de muitos flashes. Acompanha o marido em alguns eventos em que é indispensável. Fora isso é vista caminhando no parque sempre discreta. É uma mulher ''na dela'' como a gente diz na gíria. Cuida dos dois filhos e se esquiva de declarações em relação ao trabalho do marido.
Maristela também não é adepta a séquitos. Não se houve dizer que ela estava neste ou naquele evento cheia de amigas, o que não acontece com a atual Fani Lerner. O comportamento de Maristela aponta para uma das características que devem marcar a Era Requião: o predomínio masculino. As mulheres vestem seus tailleurs em solenidades e voltam para suas casas, onde devem cuidar para que nada falte aos maridos.
Enquanto eles ganham o poder de governar o Paraná, elas se convertem em boas senhoras que estabilizam as relações familiares. Nada de badalações portanto. Para aqueles que gostam de gente no poder mais um aviso: adulações não serão bem-vindas. Este governo deverá ganhar o caráter popular que há oito anos estava afastado do poder público paranaense. A hora é de Zezé Di Camargo e Luciano. Guardem os paetês na naftalina por um tempo.

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