Saber apreciar o tempo passar é saber envelhecer. Há ensinamentos valiosos que a imaturidade não nos permite aprender. Por exemplo: não há mais necessidade de ter razão, de fechar as conclusões, de dar pontos finais, pois as reticências não assustam mais. Por conta dessa maneira de ver e sentir as coisas, é gratificante envelhecer", escreve a londrinense Anabela Sabino em seu mais recente livro, "Amadurecendo com Sabedoria" (Boa Nova Editora, 160 páginas).
Nascida em Londrina, Anabela Gouvea de Mattos Sabino mora em Curitiba há 33 anos. "Concluí o curso em psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e em seguida me casei. Como meu marido estava trabalhando em Curitiba resolvemos que começaríamos nossa vida de casados aqui", conta, em entrevista por e-mail.
Aos 57 anos e mãe de três filhos, a psicóloga e escritora já escreveu quatro livros infantis – "Reina a reninha", "Brincando de ajudar", "Ero Baloc" e "Uma Oficina Chamada Terra", editados pela Federação Espírita do Paraná. Também é autora de "Gestação à Luz do Afeto", para as futuras mamães, e "Crescendo com Sabedoria", para o público infanto-juvenil.
"São vendidos apenas em livrarias espíritas e alguns podem ser comprados via internet pelas grandes livrarias do País. Esta pouca visibilidade ao público em geral limita bastante a divulgação, mas os livros estão encontrando seu espaço", explica. Mesmo assim, "Crescendo com Sabedoria" está na segunda edição, com 10 mil exemplares cada uma, em pouco mais de dois anos.
Em formato de bolso, o livro traz 225 mensagens curtas e reflexivas. "A ideia do "Amadurecendo com Sabedoria" veio em consequência. Conforme fui pesquisando o tema, fui me apaixonando e aprendendo muito. Vejo meu envelhecimento hoje com mais dignidade do que que antes de escrever o livro." O novo título conta com mais de 100 mensagens e também foi lançado no formato de bolso. Além de ficar mais em conta e mais pessoas terem acesso, segundo a autora, o livrinho também pode "ficar sempre à mão para ser consultado".
"Escrever para a terceira idade foi realmente um público diferente. Os outros livros tinham como foco as crianças, escrevi para as gestantes interessadas no bem-estar da gestante, é claro, mas principalmente no bebê que ali estava presente. Se publicar algo para os pais, estarei visando o bem-estar de seus filhos", diz.
Para a londrinense, a opção pela psicologia surgiu durante as aulas de Magistério, o que a colocou desde cedo em contato com as crianças. Além de ter sido professora primária, Anabela atualmente exerce seu lado psicóloga na filial curitibana da ONG Lar Fabiano de Cristo. "Na minha juventude escrevia poesias e o meu diário, como a maioria das adolescentes. O impulso para escrever um livro surgiu durante a gravidez da minha filha caçula", conta Anabela, que lançou "Gestação à Luz do Afeto" em 1998.
Como o pai, que completará 90 anos no mês que vem, e o irmão moram em Londrina, a escritora segue visitando a cidade natal. "Guardo recordações de uma infância despreocupada, das amigas de juventude, das festinhas dançantes feitas nas garagens das casas, das tarde de domingo quentes no Clube Canadá, dos passeios ao redor do Lago Igapó, das sessões de cinema no Cine Ouro Verde, período da universidade", resgata. "Olhando para trás vejo cada fase vivida saudavelmente, o que favoreceu o equilíbrio da minha maturidade e certamente favorecerá a serenidade em minha senectude; pois uma etapa bem aproveitada favorece o sucesso da outra", diz.
"Escrevi para leitores da terceira e quarta idades, embora recomende a leitura a partir dos 40 anos. Sempre podemos implementar mudanças e melhorias em nossas vidas, porém, quanto mais cedo nos conscientizarmos de algumas coisas, estaremos evitando sofrimentos", ensina. "Procuro passar para o leitor na maturidade da idade, a beleza desta fase da vida, o privilégio que ele está tendo, o alcance do auge da sabedoria, aceitação natural das limitações físicas impostas pelo tempo; ao mesmo tempo se abrir para coisas novas, reavaliar suas convicções, e principalmente a ver a vida como um processo contínuo, onde a morte é apenas uma passagem para a outra dimensão da vida."
Para Anabela, o espiritismo a tornou uma pessoa melhor, mais consciente do seu papel no mundo. "Se o meu olhar não fosse esse, certamente não teria escrito os livros que escrevi. Estou feliz que tenha sido assim", diz.

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