Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
A vida imita a arte? Fábio Assunção, que vai viver o primeiro pai de sua carreira, também pensa em ter filhos
Fábio Assunção nem parece o mesmo. Geralmente arredio em entrevistas, o ator de reluzentes olhos azuis está mais que empolgado para falar de sua nova empreitada. Fábio vai protagonizar a próxima novela das seis da Globo, ‘‘Coração de Estudante’’, primeira do autor Emmanoel Jacobina. De volta a um personagem naturalista, já que ele vem de duas produções de época - ‘‘Força de Um Desejo’’ e ‘‘Os Maias’’ – o ator se entusiasma ao citar o professor Edu, um ambientalista que troca a agitação de São Paulo por dar aulas em uma universidade no pacato interior de Minas Gerais. ‘‘Ele leva os alunos para estudar no campo. É um professor moderno, tipo o que Robin Williams fez em Sociedade dos Poetas Mortos’’, compara o ator.
Na verdade, Fábio deveria ter protagonizado ‘‘O Clone’’ no lugar de Murilo Benício. Mas ele não quis porque teria apenas 20 dias para se preparar. ‘‘Era muito pouco para estudar sobre clonagem e pensar nos quatro personagens. Não daria para me aprofundar’’, explica Fábio. O ator também tinha acabado de encerrar as gravações de ‘‘Os Maias’’, produção que o próprio Fábio não esconde que foi desgastante. ‘‘Gravávamos de manhã para ir ao ar à noite. Foi estressante’’, confessa.
Ter tempo para estudar o personagem de ‘‘Coração de Estudante’’ é inédito para você?
Nunca tive um período tão grande antes de uma estréia. Foram dois meses. Parece cinema. Podemos nos dar ao luxo de, se chover, deixar a cena para o dia seguinte. O difícil mesmo na tevê é a correria das gravações. Então é um luxo poder fazer esta novela com mais calma. Em ‘‘Os Maias’’, por exemplo, pagamos um preço alto por ter diminuído o ritmo para fazer melhores cenas. Chegou a um ponto que produzíamos 17 cenas em um dia. Gravava de manhã para ir ao ar a noite. Tudo com uma câmera. Por isso, adoraria se esta novela pudesse estrear só em novembro.
Viver um personagem atual depois de dois de época é mais empolgante para você?
Sem dúvida. Fiquei seis meses naquele tom de ‘‘Os Maias’’ e já vinha de ‘‘Força de Um Desejo’’, que se passava no Século XIX. Então me empolga poder fazer uma cena em que ordenho uma vaca enquanto converso com meu filho. Algo mais naturalista. Acho até mais difícil que um personagem de época, em que você pode fazer pesquisas e laboratório. Por isso, estou realmente empolgado em viver o Edu.
O que mais chamou sua atenção no personagem?
Vai ser o primeiro pai que vou interpretar. É engraçado porque começo a ter vontade de ter um filho, este ano inclusive. E vários amigos também acabaram de ter os seus. Então me envolvo mais nas cenas e estou curtindo muito o Pedro, que vai viver o filho do meu personagem. Vou tentar passar a imagem de um pai companheiro, até porque o Edu é pai solteiro.
Você foi sondado para ‘‘O Clone’’ e disse não. Já tem respaldo para recusas deste porte?
Basta ter argumento. No meu caso, não é uma questão de status, porque se parar de trabalhar, não sobrevivo. Expliquei que estava preocupado em aceitar o convite porque tinha acabado de fazer ‘‘Os Maias’’ e teria menos de um mês para iniciar as gravações de ‘‘O Clone’’. Iria fazer quatro personagens e me inteirar sobre clonagem. Achei pouco tempo. A Globo entendeu que encarar 200 capítulos sem vontade seria problemático. Melhor não fazer.
Onde você foi buscar inspiração para viver um professor universitário?
Olha, confesso que não fiz um laboratório específico para esta novela. Até pensei em conversar com um ambientalista da USP, mas não aconteceu. Na verdade, não saberia dizer que tipo de laboratório fazer porque é um personagem bem cotidiano. Então, estou buscando nas cenas e no texto do autor. O mais importante para mim até agora é passar esta idéia de uma pessoa que optou em deixar a cidade grande para levar uma vida com maior qualidade no interior.

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