Revolução química
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sábado, 24 de maio de 2014
Bruna Quintanilha<br>Reportagem Local 
O paranaense Wendell Coltro, de 34 anos, quer "revolucionar" o mundo da química. Nascido em Loanda, Noroeste do Estado, o professor universitário do Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás (UFG) foi classificado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, como um dos dez brasileiros mais inovadores com menos de 35 anos. O anúncio, feito recentemente, ocorreu devido a uma pesquisa realizada por Coltro, que desenvolveu uma tecnologia de baixíssimo custo para análises clínicas.
O trabalho de Coltro foi indicado ao instituto norte-americano pelo professor doutor Emanuel Carrilho da Universidade de São Paulo (USP). "Foram 240 projetos que passaram por um júri composto por três avaliadores até chegar em dez selecionados", conta Coltro. Honrado com a escolha da pesquisa, o professor faz questão de dividir os méritos com seus alunos. "Foi simplesmente maravilhoso ter sido indicado. Uma sensação indescritível. Mas gosto de compartilhar isso com meus alunos, que se dedicaram muito. Foi um trabalho bem coletivo", explica.
Com poucos recursos, Coltro encontrou no papel e no toner as matérias-primas que precisava para desenvolver sistemas descartáveis e supereficazes que garantem resultado das análises instantaneamente. "São materiais simples, baratos e que conseguem ser encontrados em qualquer lugar do mundo", afirma o pesquisador.
Para produzir o "chip" que faz a análise, o pesquisador usa um papel comum coberto com parafina e um carimbo metálico, que aquecido vai derreter a parafina e determinar os caminhos pelos quais o material analisado passará. Em cada extremidade do papel haverá um reagente que mostrará o resultado da análise quando em contato com a urina ou o sangue analisado.
Um dos objetivos do projeto do paranaense é a redução drástica dos custos de análises clínicas de colesterol, trigliceres e diabetes, por exemplo. A estimativa é de que cada ensaio clínico custe R$ 0,01.
Além do vasto conhecimento, algumas experiências pessoais também foram determinantes para os rumos da pesquisa. Coltro conta que o pai e o avô morreram de doenças em uma localidade sem grandes recursos. "Com o diagnóstico precoce e rápido há sempre uma chance maior de cura de algumas doenças, portanto, queremos levar isso para o campo", conta. Além da área rural, a ideia é levar a tecnologia para regiões carentes que ainda sofrem com a escassez de laboratórios e equipamentos.
De acordo com Coltro, o interesse pela química surgiu na juventude, quando ainda morava no Paraná. "Tive um professor de química muito bom no Ensino Médio, professor Teco, que me incentivou", relembra. Os mestres também inspiraram o paranaense a seguir a carreira de professor. "Estava fazendo pós-doutorado quando surgiu o concurso para a UFG. Para as aulas me inspiro em ótimos professores que tive."
Da terra natal, o químico lembra também da infância e fala com carinho de quando ajudava os pais em uma lanchonete. Na época o esporte também era uma paixão. "Só queria saber de jogar bola", diverte-se. Mais velho, Coltro se mudou para Maringá onde cursou química na Universidade Estadual de Maringá (UEM). "No começo estava em dúvida entre os cursos de engenharia química e química. Acabei passando em segundo lugar em química. Chegaram a me chamar para a vaga em engenharia, mas optei pelo primeiro." Depois da graduação vieram o mestrado, o doutorado e o pós-doutorado, todos realizados na Universidade de São Paulo (USP).
A oportunidade de lecionar hoje ele dá aulas para vários cursos como química, farmácia, engenharia química e engenharia de alimentos ocorreu em 2009, quando Coltro ingressou na UFG e mudou-se para Goiânia, onde vive até hoje com a esposa que também é química.
Para o futuro, Wendell Coltro quer dar continuidade ao seu projeto e trabalhar na reconstrução do laboratório de química da UFG. "Ganhamos um prêmio de inovação da Finep no valor de R$ 200 mil e com isso vamos construir um laboratório três vezes maior do que o nosso. A partir disso, nosso plano agora é dar sequência ao trabalho", conta animado.


