O fotógrafo Paulo Ricardo Vargas Pinto, 54 anos (que por um bom tempo foi Paulo Ricardo Botafogo, para se diferenciar do cantor homônimo e seu amigo), veio de Curitiba para Maringá com os pais, Cenita Vargas e Diógenes Pinto, com 7 anos. Hoje é um cidadão maringaense por opção e adoção. Ele mostra seu trabalho na sala Joubert de Carvalho, da Biblioteca Central, e semana que vem inaugura nova exposição na cidade.
Aos 20 anos, Paulo Ricardo foi pra São Paulo fazer cinema, de lá seguiu para o Rio, onde foi assistente do diretor Daniel Filho no filme ‘‘O Casal’’, que tinha como protagonista a atriz, Sonia Braga, também maringaense. Mas sua mira era outra, a fotografia: ‘‘Eu ficava idealizando meus ídolos, telefonava, ia à luta, ia atrás’’, conta. Em busca de uma oportunidade, bateu às portas da Revista Rock. Ana Maria Bahiana, jornalista conhecida em todo País, hoje morando em Los Angeles, o atendeu e já lhe pediu para fotografar o show dos ‘‘Doces Bárbaros’’. Era a chance que buscava.
Daí em diante foram milhares de fotos e capas de discos de nomes como Cazuza, Nelson Cavaquinho, Nara Leão, Roberto Menescal, entre outros. Durante quatro anos esteve ligado à gravadora Polygram (hoje Universal), fazendo capas de todos seus ídolos, o que proporcionou oportunidades únicas de contatos com a elite musical do País.
Das boas e doces lembranças, Erasmo Carlos, Sergio Ricardo, Rita Lee, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, Paulo Leminski. Dois momentos importantes em sua carreira como fotógrafo foram clicar B.B. King e Bob Dylan.
João Gilberto foi um caso à parte; ele nunca permitiu que o fotografasse. Eram amigos, mas o pai da Bossa Nova dizia não e pronto. Roberto Carlos também não. Suspersticioso, só permite seu fotógrafo oficial. Mas tudo bem, trabalho, à parte, ‘‘valeu mesmo a convivência, a camaradagem’’.
Nas suas vindas para Maringá, nos anos 80, onde armou uma exposição sobre Cazuza, conheceu a apresentadora de TV Geisa, que além de flechar seu coração mostrou-lhe o caminho das pedras, ou melhor, o caminho a natureza, da ecologia. Entre voltar para o Rio e assumir sua relação, optou pelo amor, e estão juntos até hoje.
Em 92, pautado para fazer uma matéria sobre as baleias, em Santa Catarina, chegou à Praia da Gamboa à noite e ouviu um som estranho, comovente e inesquecível: eram as Baleias Brancas. Ao acordar pela manhã e sair para a praia, a primeira coisa que viu foi o animal, lindo, que se levantou nas águas, ‘‘como se me desse um bom dia’’. Paixão instantânea e fiel para o resto da vida. Foram sete anos morando em Garopaba, fotografando a natureza, renascendo para outra vida e outros valores.
Paulo Ricardo é hoje um ecologista assumido, e relembra que ele e Geisa criaram o ‘‘Projeto Mamãe Natureza’’, que logo teve a adesão dos moradores da região, cuidando da limpeza das praias. Foram anos e anos de convivência e interação com a natureza, o que certamente deixou marcas profundas. ‘‘É o homem em seu estado puro, interagindo com Deus’’.
Há poucos anos, por motivos particulares, voltou à cidade. ‘‘Tudo o que aprendi quero transmitir aqui. Amo Maringá, retornarei para Santa Catarina assim que puder, pois quero continuar meu trabalho lá, mas aqui é meu lugar’’. Enquanto isso, aproveita o tempo para mostrar seu acervo, fazer exposições, trabalhar em conjunto com artistas da cidade fazendo capas de CDs, clicando pessoas em seu estúdio.
Na próxima semana, Paulo Ricardo inaugura uma nova exposição, ‘‘Luzes & Cores e Outros Bichos’’, feita em parceria com Sildemar, que está colorizando suas fotos P&B no computador. Um projeto mais audacioso é seu ‘‘Caetania’’, que está parado por força das circunstâncias. São fotos de seu arquivo pessoal, de Caetano Veloso, com poemas de Paulo Leminski. Apesar da perda do amigo poeta, continua o projeto e pretende, se possível, mostrá-lo ao público em breve.

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