Marília Pêra nunca escondeu de ninguém que dá prioridade ao teatro em sua carreira. Mas admite que já estava ficando com saudades das novelas a última foi ''Porto dos Milagres'', de 1998. Depois disso, fez apenas uma participação num episódio do ''Brava Gente'' e outra na minissérie ''Os Maias''. Por isso, a atriz diz que dificilmente recusaria um convite como o do autor Antônio Calmon, que escreveu a Janis Doidona, de ''Começar de Novo'', pensando nela. Mas admite também que o alto-astral da personagem veio bem a calhar. ''Faria mesmo se fosse uma vilã, mas confesso que faço com mais alegria uma personagem de humor neste momento. Ela lava a alma da gente'', derrama-se Marília.
''Hippie eu nunca fui. Mas usei aquelas roupas, aquelas flores, acreditei loucamente em paz e amor. Aliás, acredito ainda'', diverte-se Marília. O único cuidado foi criar, ao lado de Luiz Gustavo, que vive o não menos inusitado Vô Doidão, o ''universo paralelo'' no qual os dois parecem ''levitar''. Mas esta, garante Marília, é uma das maiores alegrias do trabalho.
Animada com o trabalho, Marília acha que não poderia voltar à tevê em melhores condições. Tanto que topou o convite, mesmo tendo que se dividir entre as gravações da novela no Rio e as apresentações da peça ''Mademoiselle Chanel'' em São Paulo. ''Tranquilo não é, mas pode ser prazeroso, embora seja muito cansativo'', pondera.
Acostumada a dirigir no teatro, onde recentemente comandou ''A Saga da Sra. Café'', de Heloísa Périssé, Marília acha que não leva jeito para a direção na tevê. Mas não deixa de dar seus palpites sempre que participa de um trabalho. ''Como nasci neste meio, tenho minhas opiniões. Sei quando uma coisa não vai dar certo'', gaba-se a atriz, que faz piada com a condição ''pouco opinativa'' dos atores. ''O ator é um pobre coitado. Tem de se submeter ao texto, ao diretor, ao cenógrafo, ao figurinista, ao iluminador, ao produtor. Mas acho que, com jeitinho, dá para se manifestar'', ensina.
Pelo menos Marília vem conseguindo. Tanto que julga não existirem diretores tão ''déspotas'' que não consigam ouvir opiniões de atores. Mas a atriz ainda acredita que poderia ser mais útil aos próprios atores.
Instantâneas
* Marília Pêra foi a diretora do maior sucesso do teatro brasileiro de todos os tempos. ''O Mistério de Irma Vap'', com Ney Latorraca e Marco Nanini, está no Guiness Book como a peça que ficou mais tempo em cartaz com o mesmo elenco: 11 anos.
* No ano que vem, Marília Pêra deve dirigir o espetáculo ''Vincent Van Gogh'', sobre a vida do pintor holandês. Ela já comprou os direitos do espetáculo e convidou Danton Mello para o elenco.
* Este ano, Marília Pêra rodou o longa-metragem ''Vestido de Noiva'', baseado na obra de Nelson Rodrigues. No filme, dirigido pelo filho do dramaturgo, Jofre Rodrigues, a atriz vive a prostituta Madame Clessy.
* Marília Pêra deixou de fumar há 10 anos, mas precisa consumir 10 cigarros a cada apresentação de ''Mademoiselle Chanel''. Ela usa uma marca produzida nos Estados Unidos, sem alcatrão e nicotina, importada por três dólares a unidade.

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