Olhar um móvel antigo, comido pelos cupins, descascado e enxergar ali uma joia rara é algo para poucos. Saber como recuperar essa peça, mais ainda. Para o procopense Luiz Antonio Sibim, 48 anos, a paixão por esse universo surgiu ainda criança, talvez até por um remoto traço genético. Com um bisavô e um tio-avô marceneiros, ele conta que não houve uma influência direta, mas desde cedo gostava de cuidar e colecionar coisas antigas. Assumir a profissão de restaurador, no entanto, veio um pouco mais tarde, embora não tenha sido sua primeira opção profissional.

Sibim se formou em Serviço Social, pela Universidade Estadual de Londrina e até poucos anos conciliava as duas profissões. Foi o emprego formal como assistente social, inclusive, que financiou a compra das primeiras peças. "Logo que me formei voltei para trabalhar em Cornélio Procópio. Enquanto muitas pessoas escolhem ficar em Londrina, eu sempre tive o desejo de voltar para a minha cidade, de ajudar de alguma forma", conta.

Foi em Cornélio também que ele adquiriu e restaurou seu primeiro móvel: uma cristaleira, vista por acaso enquanto passava por uma casa. "Ela estava com os vidros quebrados, precisava ser restaurada. Abordei a dona da casa e falei que queria a cristaleira. Acabei trocando por um guarda-roupas, que ela não tinha. Mas e aí, como fazer? O marido de uma senhora que trabalhava comigo era marceneiro, combinei e ele foi em casa, desmontou, me ensinou a raspar (a madeira). Lixei aquilo tudo, depois ele veio e montou, me ensinou a envernizar. Tenho comigo até hoje", conta.

Algum tempo depois, trabalhando ainda como assistente social, Sibim tornou-se sócio de uma loja de móveis antigos em Londrina. No mesmo período resolveu passar um tempo fora do Brasil, na Itália. Lá acabou fazendo seu primeiro curso de restauração, aprendendo técnicas profissionais.

"Quando voltei a loja não estava bem. Desfizemos o negócio e voltei para Cornélio, onde resolvi começar a trabalhar em uma oficina minha. Tinha um espaço emprestado, assim como as primeiras ferramentas. Isso era em 1995. No primeiro dia me lembro de ter projetado que em cinco anos teria um prédio meu, adaptado para trabalhar com restauração. Ali eu tracei uma meta, quando eu queria, como", diz.

Como o espaço era pequeno, Sibim usava a calçada para expor as peças restauradas – alguns móveis próprios e sobras da antiga loja. Próximo havia uma academia e as pessoas passavam e olhavam os móveis, uma forma de propaganda improvisada. Todo o dinheiro que entrava era investido em novas ferramentas e materiais e a ajuda da família foi fundamental para o negócio. "Eu morava com meus pais, ele me emprestava o carro e até ia comigo buscar e entregar o serviço."

O sonho com a oficina própria continuava e Sibim conta ainda não saber o motivo, mas sempre desejou que o espaço estivesse localizado na entrada da cidade. Depois de muito procurar ele conseguiu encontrar um terreno, comprado com a ajuda da família, e nove meses depois se mudava para seu novo endereço, onde permanece até hoje.

Neste ano, o trabalho do restaurador e sua equipe ficou conhecido nacionalmente, depois que o apresentador Luciano Hulk escolheu uma família de Cornélio Procópio para participar de seu programa. No quadro Quinquilharia, móveis e outros objetos antigos são restaurados e vendidos em leilão, com renda revertida para a família. Outro trabalho de destaque foi participar da restauração da Catedral do município, finalizada recentemente. "Recuperamos todo o forro, bancos, portas e a mobília de presbitério."

Atualmente, além de vender os móveis restaurados, Sibim também oferece aos clientes objetos de decoração e presente. A oficina de restauração funciona no mesmo espaço e em breve deve ser ampliado. Outro plano para 2016 é trabalhar com móveis planejados.

Prestes a completar mais um ano de vida, Sibim vê com orgulho tudo que conquistou. "Nunca pensei em trabalhar com isso (restauração). Hoje olho essa trajetória e não sei se faria diferente. Tive fase de andar a pé por não ter dinheiro para a gasolina da moto. Eu não me canso, acordo todo dia animado, gosto demais do que faço. No início meu desafio foi mostrar para as pessoas de que não precisavam jogar fora os móveis antigos, arrumando fica legal. Hoje estou atendendo a terceira geração de clientes. Há pouco tempo atendi uma senhora que fez questão de comprar apenas móveis restaurados, como uma forma de investimento. Esse móvel, daqui a 20 anos, vai estar valendo a mesma coisa que hoje ou até um pouco mais", presume.

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