Relação de conflitos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Raquel Rodrigues<br>Agência Estado 

Luisa Arraes vem construindo com cuidado a problemática Manuela de "Segundo Sol" (Globo). A personagem tem vivido muitos conflitos em função de sua vida desajustada desde que Luzia (Giovanna Antonelli) foi obrigada a partir, deixando a garota e Ícaro (Chay Suede) para trás. Adotada por Edgar (Caco Ciocler) e Karen (Maria Luisa Mendonça), Manu cresceu sentindo que não fazia parte da família Athayde. Em momentos de angústia, ela recorre às drogas, situação que vai se agravar nos próximos capítulos da trama, levando-a a ter problemas com a polícia.
"Eu fico feliz ao perceber que há uma comoção grande em volta da história da Manu com a mãe. O público está entendendo bem os 'buracos' dos dois irmãos. Então, por mais que eles sejam um pouco pesados ou que a Manuela tenha sido chata às vezes, tudo isso é bem embasado. Acaba que fica todo mundo com compaixão", acredita a atriz
No folhetim, Manuela se apegou a Ariella (Giovanna Antonelli) sem saber, no entanto, que ela é sua mãe biológica. Agora que a verdade vem à tona, Manu desaba e se joga nas drogas.
"Isso é uma loucura, porque Ariella é a nova mãe dela. Saber que a pessoa que ela mais ama agora é a que mais odeia não é fácil. Se ela achasse a Ariella parecida com a mãe, não ia ter história. Ela tem essa memória como um sonho. A gente sonha com as pessoas e não se lembra dos rostos. Ela tem essa sensação. Não é à toa que gosta muito dela", analisa Luisa.
De personalidade forte, Manuela não tem papas na língua e sempre apontou os erros da família Athayde. Porém, com a falência deles, Manu tem mostrado sua solidariedade para com aqueles que a criaram. Segundo Luisa Arraes, é legal ver que a reação dela foi diferente do que a maioria do público imaginava.
"Você espera que alguém que teve a criação dela, sem muito afeto, reagiria mal, mas é ao contrário. Eles fazem tudo errado, está todo mundo se batendo e ela fica ali falando que vai ficar tudo bem. Manuela, que lida com pessoas que erram e abandonam, entende o lado mais humano. Essa pessoa fez isso, mas não quer dizer que seja de todo ruim", avalia.
A relação com a família Athayde nunca foi das melhores. Karen não aceitou a menina pelo fato de ela ser sobrinha de Cacau (Fabiula Nascimento), que teve um caso com seu marido. O avô, Severo (Odilon Wagner), sempre foi uma pessoa emocionalmente distante. Enquanto isso, apesar de Edgar aparentar ser um pai amoroso, ele se mostrou fraco diante dos problemas. Para piorar, Rochelle (Giovanna Lancellotti), por ciúme, faz da vida da irmã adotiva um completo inferno. Coube à empregada Zefa (Claudia Di Moura) o papel maternal na vida de Manu.
"Ela foi grande para aquela casa. Eu acredito muito na criação. A genética é complicada da gente defender ou não. Tenho amigos que têm filhos que foram adotados e são a cara, o jeito, tudo dos seus pais. Não sei sobre genética, tenho mais interesse nessa coisa da criação. Mas tem algo da genética também, é óbvio. Resumindo: Manu nunca se identificou com a família dela. Ela se identifica muito com a Zefa", ressalta.
Além do comportamento, o visual de Manuela também tem dado o que falar, começando pelo cabelo. Apesar de algumas pessoas estranharem esse corte mais moderno, Luisa sai em defesa da aparência da personagem e diz que acha engraçado ver os comentários do público. A atriz conta que o figurino da personagem foi pensado para mostrar que Manuela não é solar.
"Eu amo o corte, acho lindo. Mas entendo que as pessoas aceitam mais algo careta. O legal é que uma das coisas que a gente pensou para o figurino é que a Manuela tem três blusas, dois shorts, uma calça e só usa essa bota. A Manuela é subterrânea. Então, o figurino é um pouco pra isso. É onde ela se sente mais confortável", argumenta.
Satisfeita com a repercussão positiva do trabalho em "Segundo Sol", Luisa pensa que é importante não acreditar apenas nos elogios. A atriz também observa as críticas e pontua que cada pessoa vê de uma forma sua interpretação. "Fico feliz com os elogios, mas as pessoas têm opiniões diferentes. Aprendi, inclusive, no teatro, que o lugar da televisão é diferente muito mais no sentido da imagem, do que do conteúdo. Porque existem projetos bons em todos", conclui


