Referência na moda brasileira
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sábado, 16 de outubro de 2010
Elaine Souza<br>Reportagem Local 
Lino Villaventura é bastante conhecido por fazer desfiles espalhafatosos. Também é de domínio dos mais experts em moda que ele foi um dos primeiros estilistas a voltar sua atenção para o mercado internacional. Hoje, suas criações enfeitam vitrines de renomadas lojas na Alemanha, França, Espanha, Arábia Saudita e Emirados Árabes. Japão, Inglaterra e Estados Unidos também conhecem os modelos criados pelo brasileiro. Lino conquistou o mundo exportando roupas com qualidade e duas de suas marcas registradas: diferencial e bom gosto. ''Conseguir alcançar o mercado internacional com uma roupa com o valor mais expressivo não é fácil. O comprador internacional é muito exigente. É preciso cumprir os prazos certos, tem que ter uma qualidade extrema, design e corte muito bons. É preciso equiparar-se com grandes marcas internacionais'', explicou ele para a reportagem da FOLHA.
A carreira de Lino, saudada pela crítica, sempre foi moldada em um trabalho artístico, cheio de identidade, como bem gosta ele de frisar. Depois de mais de três décadas desde sua primeira criação, Villaventura continua delineando seu estilo único, requintado e inigualável. ''Faço meu trabalho naturalmente. É o traço de um cara brasileiro que faz um trabalho autoral. A inspiração é muito abstrata. As pessoas trabalham muito com tema, eu não faço isso. Cada pessoa vê de uma maneira diferente. Eu vejo um quadro de uma maneira e você de outra. Cada um tem uma interpretação diferente. Eu posso adorar e você não''. disse.
A relação de Lino com a criação de roupas sempre foi muito forte e sua dedicação, compara ele, é como de um sacerdócio. Seu tempo é todo tomado com o desenvolvimento de modelos com responsabilidade e que, a cada estação, ganha mais admiradores. Por isso Villaventura nunca pensou em vender ou unir seu nome a outra grande marca. Um processo cada vez mais em voga no mundo glamuroso da moda. ''Eu nunca me deixei seduzir por nenhuma proposta. Temos exemplos que deram certo e outros que não deram certo. Você cria uma marca, se dedica a ela, e depois vira funcionário. Eu não sou tão fácil assim. Nas minhas criações não tenho limite, sou meio maluco. Para vender sua empresa você tem que ser desprendido''.
Paraense radicado no Ceará, outras facetas envolvem o currículo do estilista. Como artista plástico, Lino teve seu trabalho reconhecido. Em 1988, o Stedelijk Museum, de Amsterdã, arrematou um vídeo com o registro de suas obras. Sete anos depois, em 1995, seus trabalhos foram expostos no ''Art do Wear - Lunst als Kleidung'', na Alemanha. Também esteve presente na exposição ''A Arte do Brasil em Beirute'', no Museu Sursoak, no Líbano. Outra tacada certeira foi a de figurinista. Villaventura atuou no filme ''Bocage, o Triunfo do Amor'', de Djalma Limongi Batista, e na peça ''Dorotéia, uma Farsa Irresponsável em Três Atos'', de Nelson Rodrigues, que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Shell de Teatro, em 1996.
Lançando coleções nas duas edições anuais da São Paulo Fashion Week, a sucessão de glórias do estilista que só sai de casa vestindo roupas pretas fez dele igualmente admirado entre as maiores tops do mundo. Uma legião de modelos adoram ser escaladas para seus desfiles, entre elas Adriana Lima, Isabeli Fontana, Carol Trentini e Marina Dias. Uma das explicações para isso é que Lino as deixa soltas. ''Elas não são robôs, são mulheres. Eu gosto de sensualidade'', dispara. Entre as belas que ele admira está a londrinense Michelle Alves, a qual ele intensifica seus elogios. ''Michelle é uma das modelos que mais desfilaram para mim. Ela foi quase uma parceira, fez vários desfiles, entradas e encerramentos. Ela é uma pessoa maravilhosa, que sempre teve o pezinho no chão, além de ser gentil, educada, linda e bem-casada''.
Com sua fértil imaginação e capacidade singular para captar realidades fantásticas, as criações de Lino Villaventura para 2011 geraram muito ti-ti-ti entre os fashionistas. Apostando numa infinidade de tecidos, sobrou para ele os melhores comentários do quarto dia da São Paulo Fashion Week. Uma gama de cores e uma dezena de materiais, como tafetá, jacquard, lurex, cetim e tricoline, contribuíram para o desfile com modelos que usavam lentes azuis e toucas com molas. As apostas também contaram com vestidos, tops, mangas amplas e justas. Amante de estampas de bichos, para a próxima estação a estamparia chega com a cara da África. Tudo com muitos vidrilhos de cristal e pérolas. Coisas de um profissional surpreendente e fascinante.


