Em uma homenagem ao avô materno, o chef de cozinha curitibano Dudu Sperandio batizou seu restaurante de Ernesto. Mas sua paixão pela culinária não é uma herança de família, considerando que é o primeiro a se aventurar profissionalmente em uma cozinha, seja em terra firme ou em alto-mar. "Assim que terminei o curso de chef embarquei em um navio como auxiliar de cozinheiro", conta Sperandio.

Foram seis meses em um transatlântico até desembarcar em Londres. "Fui em busca de restaurantes de alto padrão", lembra. Durante cinco anos no exterior, o chef esteve em cozinhas conceituadas na Europa e trabalhou com nomes estrelados da gastronomia mundial, como o top chef Gordon Ramsay. Também passou pelo La Scaletta, em Milão. "Queria me aperfeiçoar na culinária italiana", conta o curitibano, sobre a troca da Inglaterra pela Itália.

De volta ao Brasil, Sperandio inaugurou na terra natal o Ernesto Ristorante, cerca de quatro anos atrás. "Gosto muito de Curitiba, conhecer as pessoas facilita, não abriria em outro lugar", conta o chef, que esteve em Londrina no mês passado para participar de um evento gastronômico a convite da Vectra Construtora. A visita coincidiu com a publicação da revista Veja Curitiba, em edição especial Comer & Beber 2104/2015.

Sperandio conquistou três prêmios: chef do ano (escolha do público), menu executivo (escolha do público) e melhor restaurante italiano (escolha do júri). No ano passado, ele já havia conquistado o reconhecimento da mesma publicação com os prêmios de melhor chef e melhor restaurante italiano. E da própria Itália veio um troféu especialíssimo, o selo Marchio Ospitalità Italiana, concedido pelo governo italiano para restaurantes que valorizam sua culinária mundo afora.

Com apenas três anos trabalhando profissionalmente no Brasil e com tal coleção de conquistas, o chef ainda tem outros ingredientes-supresa guardados na manga do uniforme – que não fica no branco tradicional e parte logo para um laranja. Antes de optar pelo curso de chef de cozinha, Sperandio passou por duas faculdades: a primeira de engenharia e a segunda de administração. Não concluiu nenhuma e por isso mesmo causou uma comoção na família quando resolveu partir para o terceiro curso.

Hoje, Sperandio dá aulas de gastronomia tanto em faculdades quanto em cursos livres e eventos como o que aconteceu em Londrina. Antes de desembarcar no Norte do Paraná, o chef estava no Piauí. "Não é só levar a comida, levo também experiência profissional", avisa. Ele conversa com os alunos e acaba deixando o público não só com água na boca, mas também boquiaberto com as histórias.

"Em pouco tempo consegui fazer muita coisa", confirma Sperandio. Uma das surpresas do chef: ele gosta de pedalar quando não está na cozinha. Aliás, pedalar muito, como os 5.700 quilômetros entre Nova York e São Francisco, em uma viagem sobre duas rodas que durou 59 dias. "Percorria em média 180 quilômetros por dia", lembra.

O plano é voltar para a estrada nos meses de janeiro e fevereiro do ano que vem e voltar para o Estados Unidos de bicicleta a partir do Chile. "Já saí de Caiobá e cheguei no Chile, agora vou completar a viagem." Em janeiro, o restaurante fica mesmo fechado em férias coletivas e fevereiro tem movimento mais fraco, segundo o chef.

"Minha virada profissional foi quando recebi o convite para ser sous-chef em um hotel na Bermuda", conta Sperandio, que estava dividido entre voltar para Londres ou ficar na Itália. Apostou na terceira opção e acabou servindo nada mais nada menos que a Rainha Elizabeth, da Inglaterra. "A pessoa mais importante que eu servi", lembra.

Depois da passagem por Londrina, o chef curitibano seguiu quase que imediatamente para uma temporada de 15 dias na Itália para conhecer restaurantes e vinícolas. "Viajar, comer e conhecer", regojiza-se. "Mas sentar, comer e beber é meu trabalho", explica Sperandio. Cozinhar é a paixão.

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