Se a França é o solo sagrado dos mestres da moda, a Inglaterra, o habitat dos criadores de vanguarda, a Itália, terra do rigor técnico traduzido no corte impecável e os Estados Unidos são imbatíveis no business, o Brasil também tem a sua especialidade fashion. Seja por causa de seu vasto litoral ou da exuberante plástica de suas mulheres, em matéria de biquínis ninguém desbanca a superioridade tupiniquim.
Os números dão uma boa idéia do poder de fogo do setor. Anualmente, 700 empresas nacionais produzem nada menos que 50 milhões de peças, com um faturamento em torno de R$ 12 bilhões. Só a grife paranaense Reco-Reco, de Maringá, coloca no mercado cerca de 2,5 milhões de biquínis e maiôs por ano. Outra gigante, a paulistana Cia Marítima, despacha para o exterior 200 mil peças/ano.
Tem sido assim há tempos, mas só agora criou-se o merecido burburinho em torno de um dos mais bem sucedidos produtos de exportação made in Brazil. E tudo por causa de um ex-barman e ex-professor de História com o dom de transformar pequenos pedaços de tecido em objetos de desejo femininos. A Rosa Chá de Amir Slama ainda não contabiliza cifras tão generosas como a da sua concorrente em São Paulo, mas conseguiu um feito até então inédito: virou referência de estilo no mercado americano.
Tanto que, depois de frequentar as páginas das melhores publicações de moda dos Estados Unidos – e também as mais descoladas lojas por lá – chegou, em setembro, às passarelas da 7th on Sixth, a concorrida Semana de Moda de Nova York, causando frisson antes mesmo da estréia. ‘‘Victoria Secret que se cuide. Rosa Chá vem a풒, alardeava o New York Post na véspera. Não era para menos. A coleção ‘‘Tropical Chic’’, inspirada em Carmen Miranda e apresentada meses antes no MorumbiFashion, tem o mérito de exaltar a tão batida sensualidade brasileira sem cair no óbvio. E o que é melhor, consegue ser sexy e chique ao mesmo tempo.
Mas como explicar tanto sucesso se a marca em questão nem é líder de mercado? Quem vai responder é o próprio Amir Slama, que estará em Londrina quarta-feira, para participar do 3º Encontro Paranaense de Tendências de Moda – Inverno 2001, com o patrocínio da DuPont/Lycra. Dirigido a profissionais e estudantes da área, o evento tem o objetivo de reduzir a distância entre a cidade e os grandes centros de informação de moda. Para isso, conta com várias palestras ao longo do dia (veja a programação), além de estandes com os lançamentos de tecidos de várias tecelagens nacionais, como Hudtelfa, Selene, Kalimo, Baumstyl, Schlosser, Brasilev, Jauense, Tici Têxtil, Budi, Kênia e Bogitex. E ainda com um fórum de tendências elaborado pelos estudantes do curso de Estilismo em Moda da UEL.
Um dos temas abordados traz a Internet para o centro da discussão, instrumento cada vez mais utilizado pelos profissionais do setor. A jornalista Carol Garcia – editora-chefe da revista digital Moda Brasil e professora de pós-graduação online em Moda e Comunicação da Universidade Anhembi-Morumbi – falará sobre a Internet como a enciclopédia pop da cultura contemporânea, e sobre como utilizá-la para a interpretação de tendências. Também apresentará exemplos de construção de identidade de diversas marcas.
Os negócios serão outro assunto na pauta do dia. E não poderia ser diferente diante das atuais perspectivas, para lá de otimistas, do setor têxtil brasileiro – que estima elevar o volume de exportações para US$ 4,3 bilhões até 2005 (segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil), e investir mais de US$ 12 bilhões nos próximos oito anos. O assunto será o tema da palestra do coordenador de exportações da DuPont Lycra, Fernando Roland. Nada mais adequado neste momento em que os empresários do Paraná, reconhecidamente um pólo de confecção, começam a se estruturar para entrar no mercado externo através de consórcios de exportação.
• 3º Encontro Paranaense de Tendências de Moda - Inverno 2001 Dia 22 de novembro, das 9h às 22h, no Centro de Convenções do Hotel Sumatra. Convites à venda nas lojas Pura Mania. Realização: Edem – Escritório de Desenvolvimento em Moda. Informações: (43) 348-9714, das 9h às 12h.

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