Segundo o chef de cozinha Roberto Ravióli, numa casa de família italiana a cozinha é sempre maior do que a sala. Por conta desse detalhe, o gosto pela culinária ‘‘acaba passando por osmose’’, diz ele, que é proprietário de restaurante em São Paulo e esteve em Maringá no final de semana passado para preparar um jantar para 100 pessoas.
A convite da advogada Cleise Santos, Ravióli veio acompanhado do assistente Joábio Alves do Nascimento e 60 quilos de ingredientes para o jantar de aniversário da anfitriã, que comemorou em grande estilo. Foram servidos pratos como perdiz, ossobuco e tiramisu, entre outras delícias.
As origens da família, da região de Toscana na Itália, não são esquecidas na hora de cozinhar. Mesmo com tantas influências e um sobrenome tão culinário, Ravióli não foi direto para cozinha na hora de escolher uma profissão. Formou-se em Arquitetura. Por quê? Porque o italiano vive para cozinhar e não cozinha para viver’’, explica o chef. ‘‘E também porque na minha família o ‘‘carro-chefe’’ sempre foi a construção.
Mas ao projetar um restaurante de um dos irmãos, Roberto se perguntou ‘‘e por que não?’’ Entrou de sócio com o irmão no início da década de 90 e hoje tem o próprio restaurante, além de estar montando uma pizzaria. ‘‘Será uma grande pizzaria, com preços menores, mas com qualidade sempre’’, diz Ravióli, que acredita no volume de vendas como maneira de se adaptar à nova economia.
Antes de se estabelecer no restaurante, Roberto viajou pelo mundo durante dois anos participando do circuito completo de Fórmula 1. Daquela época não se esquece do piloto Ayrton Senna, um verdadeiro campeão. E cozinhar para famosos é uma das especialidades do chef, que já preparou quitutes para a cantora Whitney Houston e o tenor Luciano Pavarotti, encontro do qual surgiu o ‘‘nhoque do camponês para Pavarotti’’. O nhoque é feito à base de sobras de pão focaccia e se transformou no prato da Boa Lembrança (quem saboreia a receita leva para casa o prato de cerâmica) do seu restaurante.
Ravióli também é um dos colaboradores do programa ‘‘Mais Voc꒒, da apresentadora Ana Maria Braga. ‘‘Fico à vontade em frente às câmeras’’, conta o extrovertido chef, que afirma ter a vontade de ter um programa próprio.
Quanto ao convite para vir à Maringá, ‘‘a gente se sente lisonjeado por poder sair de São Paulo. É o máximo poder sair para cozinhar para alguém’’, diz o chef. No final de semana anterior, Ravióli preparou um jantar para o ministro da Saúde José Serra.
No restaurante em São Paulo, o chef diz que serve de 10 a 12 mil pratos por mês. São quase 12 horas de trabalho diário, ou melhor, de puro prazer. ‘‘Mas chego em casa e prefiro fazer um sanduíche’’, conta Ravióli, que quase não cozinha em casa. ‘‘Pelo menos uma vez por semana vou a um restaurante japonês, que é para dar uma mexida no sabor’’, lembra.
Da mesma maneira didática que ensina os dois filhos a conhecer novos sabores, Ravióli também quer que seus clientes provem as novidades do cardápio composto por 99 pratos. ‘‘Gosto de abrir os horizontes dos clientes’’, afirma o chef, que procura sempre voltar à Toscana para saborear a cozinha regional, conhecer novas vinícolas e descobrir novos temperos.
Agradecimentos: Bruschi/Elgin Cuisine

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