Quem acredita sempre alcança
Alegria de um lado. Decepção no outro. Dois times. Dois jogos. E muita história para contar. É a decisão da Copa Paraná.
Ou melhor, a decisão do rumo de muitas vidas.
Ao longo da semana, a cidade de Londrina, no norte paranaense, vivia o clima do torneio. Desde 1999, o Londrina Esporte Clube não levantava uma taça profissionalmente. Muitas chances vieram, mas nenhuma foi aproveitada. E os seus cidadãos pés-vermelhos acreditavam que o título da Copa Paraná de 2007 que vale vagas para a Série C do Brasileirão de 2008 e para a Copa do Brasil de 2009 quebraria este jejum.
Tanto que, no 22 de novembro, numa amistosa quinta-feira, 9 mil almas lotaram o estádio Vitorino Gonçalves Dias. 9 mil almas confiantes de que o seu time iria encerrar de vez o período de vacas magras que se instalou no clube desde algum tempo.
Eis que, alguns segundos após o árbitro Heber Roberto Lopes (sim, um juiz FIFA apitando a final da Copa Paraná) assoprar o instrumento, Marcelo Soares penetra na zaga e a equipe do J. Malucelli chega ao gol. Sim, com quase 1 minuto de jogo os visitantes abrem o placar.
É fato de que o Londrina fez um 1º tempo medíocre. Os principais jogadores alvicelestes (entre eles, o meia Nem e o atacante Zé Ilton) foram muito bem marcados pelo adversário. Antes do intervalo, os curitibanos ainda chegaram ao 2º gol, novamente com Marcelo Soares. Os atletas londrinenses saíram para o vestiário sob vaias. Será que o tão valioso troféu da Copa Paraná iria parar na Capital?
No 2º tempo, o Tubarão fez mudanças e conseguiu melhorar um pouco. Em vez do inexplicável esquema com três zagueiros e dois volantes, o técnico Abel Ribeiro optou pelas entradas de Diego Mineiro e Aílton. Aos 28 minutos, o bom atacante Bruno diminuiu a contagem, para alívio dos presentes. Ainda restava tempo para o empate e, quem sabe, a vitória.
Os jogadores (ou pelo menos quase todos) do Tubarão lutaram, mesmo sendo na base da ignorância. Em meio a algumas chances, Bruno, de novo ele, sacudiu as redes do J. Malucelli. Foi uma grande festa. Até este colunista que é amante declarado do Tubarão se aventurou a comemorar com alguns cervejeiros anônimos.
Final de jogo, Londrina 2 x 2 J. Malucelli. O embate decisivo seria em Curitiba, no domingo. O Estado do Paraná viveu intensas emoções até lá, aguardando com ansiedade a adrenalina que estava reservada para o grande jogo.
Chega o tão esperado dia. No eco-estádio Janguito Malucelli, o equilíbrio prevalece. Os dois clubes se estudavam, quando, aos 20 minutos do 1º tempo, Marcelo Soares (tá virando craque!) fez Jota 1 x 0. Porém, nada estava definido. O Londrina chegou à igualdade sete minutos depois, com Nem convertendo um pênalti. No momento, parecia que o Tubarão dominaria a partida. Parecia.
O LEC passou sufoco nos 15 minutos finais do 1º tempo. Até o intervalo, o Alviceleste conseguiu agüentar a pressão, mas logo na volta, o Malucelli mostrou novamente que seria difícil não alterar o placar.
Élton e Daniel só não aumentaram porque Marcos evitou. Mas aos 7 da 2ªetapa, o goleiro do LEC nada pôde fazer para defender o chute do eficiente atacante Bruno Batata. Estava consolidada a vantagem do J. Malucelli: 2 a 1 no Londrina.
Ainda tentaram os atletas londrinenses fazer algo. Mas não conseguiram, pois corriam desorganizadamente, enquanto o Jotinha cadenciava o jogo. No final, deu J. Malucelli. 3º colocado no 1º turno, campeão no 2º e campeão da Copa Paraná.
Dá-lhe Jotinha!
Copa Paraná: análise dos finalistas
J. Malucelli - O Jotinha foi evoluindo ao longo da competição, principalmente com a chegada do ótimo técnico Lio Evaristo. Desde a derrota para o CAC/Portuguesa por 3 a 0 (na estréia de Lio), o clube da Capital passou 16 jogos invicto. Com o título e as vagas na Terceirona e na Copa do Brasil, o J. Malucelli tem boas perspectivas para o futuro e, com um bom time e uma boa estrutura, levantou merecidamente o caneco.
Londrina - Até o final do 1º turno, o LEC tinha a melhor equipe do torneio. Só que, com a desnecessária demissão de Gilberto Pereira, o clube foi caindo de produção e acabou perdendo o título aos poucos. Para o futuro, a diretoria já dispensou o fraco técnico Abel Ribeiro e ainda fará algumas mudanças no elenco. A meta é ir bem no Paranaense 2008 para disputar a Série C do mesmo ano. Mesmo com a derrota, creio que o Tubarão está no caminho certo para voltar a ser grande.
Saudações alternativas.
ANDRÉ CASAROLI
(Coluna publicada no dia 28 de novembro de 2007, no site www.papodebola.com.br/futebol estranho)





