Curitiba- Ao invés de brincar somente com bonecas, quando era pequena, o hábito de Dinalva Borgo Krasowski era montar uma pequena sala de aula imaginária na garagem de casa. Para ela, o fascínio de passar seu pequeno (naquela época) conhecimento adiante, já era maior do que a beleza plástica dos brinquedos que poderia ter. Então ela dava ''aula'' para as bonecas.

Nascida e criada em Curitiba, a hoje empresária não teve outra experiência profissional na vida a não ser ensinar. Aos 18 anos terminou o segundo grau e já foi trabalhar como professora estadual. Obviamente, estudou pedagogia e durante algum tempo tentou levar uma educação melhor aos alunos do ensino público. Uma missão impossível tendo em vista a situação da educação brasileira, independentemente de políticas e localização geográfica.

Diante dessa realidade, Dinalva optou por ter sua própria escola. Há mais de dez anos comanda a Pequenos Autores, uma instituição que já no nome sugere a preocupação que existe em suas salas de aula: iniciar educacionalmente crianças pequenas (de quatro meses a seis anos) com o maior incentivo possível. Enfim, na visão de Dinalva, o estímulo é tudo. E a liberdade de expressão também. ''Sempre digo para minhas coordenadoras não reprimirem as diferenças em salas de aula''. Um alívio para os pais profissionais liberais, na grande maioria médicos e jornalistas, que entregam seus pequenos nas mãos da equipe de Dinalva.

Em seus domínios as crianças têm contato com balé, judô, horticultura, informática, inglês. ''Por eles terem inglês desde cedo, quando entram no ensino fundamental já sabem bastante. E a crianças, a gente não pode achar que elas não vão aprender, elas aprendem, sim, porque têm o potencial. Com dois aninhos elas já fazem apresentação de judô e falam em japonês com o professor,''

Esse treinamento faz das crianças de Dinalva verdadeiros prodígios. Há poucos dias, crianças de dois aninhos se apresentaram na festa de final de ano para um público de 600 pessoas. No palco, nada de choro. Somente descontração e desembaraço. Todo mundo fica de boca aberta. ''Criança tem que ter estímulos. Desde quando entram no berçário, elas têm um processo de estimulação que é passado para os pais. Se você chegar na minha escola num horário de aula, elas vão conversar com você. São crianças bem resolvidas porque são estimuladas para isso.''

Depois de ter aberto a Pequenos Autores, Dinalva pulou para um salto maior e abriu outra escola. De um começo de apenas 40 alunos na Pequenos Autores, hoje ela tem 170, e, no Caminhos do Saber, sua outra aquisição, de 40 pulou para 160. Nas duas escolas, Dinalva entrou como sócia de administradoras em processo de falência. Nos dois casos conseguiu, com sua mão-de-ferro, transformar tudo garantir um crescimento de 300%. Para um País em crise constante, onde a educação não é prioridade, um feito e tanto.

Seu sucesso vem calcado em muito trabalho. Ela tem uma mania de perfeição, uma cabeça aberta em não querer robozinhos sendo formados, e em outro componente: amor. ''Eu viso o lucro financeiro, claro, mas faço tudo primeiro porque tenho muito amor e os pais percebem isso''.

Tirando a parte boa, Dinalva enfrenta, vez por outra, problemas mais densos. Um deles é o abuso sexual e a violência doméstica. Casos mais frequentes de aparecerem do que se possa imaginar. E incrível, na experiência da empresária, que quando surgiram casos como esses, na grande maioria das vezes foram praticados por funcionárias das famílias. Um bom alerta para quem tem medo de levar os filhos desde pequenos para uma escola. Quando esses casos aparecem são tratados com sigilo e com auxílio de uma psicóloga. Alguns traumas podem ser tratados, outros, administrados.

''Aquilo tudo que você vê no Fantástico já vi ao vivo e a cores nas minhas escolas''. Quando percebe algo estranho com a criança, imediatamente os pais são alertados. Ela está sempre de olho. Uma maneira que a pedagoga encontrou para fazer com que seus empreendimentos cumpram seus papéis nos primeiros e decisivos anos de vida de seus pequenos autores. ''Você tem que estar sempre por perto. Tenho pessoas super-responsáveis que trabalham comigo, mas a direção da escola tem que impor o respeito''.

Um outro exemplo de dedicação é o fato de suas escolas não fecharem nem no final do ano. Ponto para Dinalva. Afinal, todo mundo sabe que mesmo em tempos de festas, jornais, hospitais e outros locais têm que funcionar para que os outros possam se divertir.

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