Termina hoje em São Paulo o maior evento de moda do País. E a expectativa é grande por conta dos desfiles de moda praia que encerram a temporada, depois de uma semana de badalações fashion. No sábado e domingo, oito grifes mostraram suas criações para o verão 2002, que terá uma cartela de cores mais escura que o habitual. As primeiras peças deverão chegar às lojas em setembro.
O preto se fez presente na maioria das coleções apresentadas até agora. Mas para toda regra existem (boas) exceções, caso do mineiro Ronaldo Fraga, que desfilou pela segunda vez na São Paulo Fashion Week e voltou a emocionar a platéia. E muita gente deixou as lágrimas rolarem.
E que moda é essa que faz as pessoas chorarem? A homenagem a Zuzu Angel, que morreu misteriosamente depois de fazer um desfile-protesto em Nova York contra o assassinato do filho pela ditadura militar. O azul do céu é a cor dos anjos de passarela. Eles vestem calças com cara de saia, e roupas com nuvens aplicadas.
Nada de estampas coloridíssimas para Fause Haten, que preferiu brincar com a ráfia e as penas. A inspiração é Yves Saint Laurent nas saia longa e na camisa branca. A renda casca de árvore sustenta o ‘‘pretinho básico’’. Os colares são grandes e os braços têm muitas pulseiras.
Mais uma vez, Tufi Duek volta os olhos para o Rio de Janeiro e a Forum chega com a ginga da boemia carioca. Ponchos e túnicas estabelecem as novas formas e proporções. O tecido escorrega e os ombros se revelam, em sedas e jérseis.
Grandes chapéus de abas e calças pantalonas, um quê de anos 70, com uma passagem pelos anos 50. Além do preto e branco, vermelho e turquesa.
Bolas, círculos e tudo desce redondo na nova coleção de Carlota Joaquina, que se inspirou em desenhos animados e na pop art. As formas são de bolas também, mas o lastex ajusta a roupa. Listras largas aparecem com firmeza nas malhas.
Depois de uma estréia nada muito positiva (o desfile longo da temporada passada não deixou boa impressão), grife argentina Trosman Churba surpreendeu. Nada como uma boa edição. Mais curto, o desfile trouxe os tecidos resinados da dupla Jessica Trosman e Martín Churba. Bermudas ajustadas nas pernas e jaquetas seguem a linha alfaiataria.
O mineiro Renato Loureiro chega o mais colorido possível, com seu patchwork de xadrezes ou flores. O preto também aparece em smokings bem cortados e nas rendas, mas é a cor a grande vedete. Até os sapatos (de pontas afiadíssimas) também são coloridos, mas monocromáticos. Pink, turquesa, vermelho para combinar com as roupas.
Influências do mar e do movimento punk criaram a surfista punk da Triton. Preto e muitas tachas, mas sem perder a ternura. Por isso mesmo, tule e filó nos apliques. Os coqueiros (sempre pretos) estampam as peças, ora shorts curtíssimos, ora pantalonas.
E o verde que te quero verde de Marcelo Sommer fechou o domingo de desfiles em São Paulo. Com uma coleção chamada de house barroco, o estilista fez uma das apresentações mais animadas do evento. Como sempre, aliás. O estilo musical house (eletrônica) se une à cultura de excesso (uma saia globo de boate, por exemplo) para a nova coleção.
Na releitura do passado, eis que voltam as jardineiras jeans. A clave de sol estampa o tecido, assim como as flores (o trevo de quatro folhas, claro). O verde vem forte, e faz companhia para o prata, gelo e vermelho cereja.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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