Curitiba - Quando criança, a médica e apresentadora de TV Karina Oliani já dava sinais de que iria adorar esportes radicais assim que começou a escalar o berço e a montar circuitos de aventura no quintal de casa para brincar com as irmãs. A paixão pela natureza e pela aventura desenharam a vida da paulistana, que aos 12 anos já tinha certificado de mergulhadora e aos 31 anos se tornou a mais jovem brasileira a subir o Monte Everest, a mais alta montanha do planeta, localizado entre o Tibete e o Nepal. Também foi bicampeã brasileira de wakeboard, tricampeã brasileira de snowboard e recordista em mergulho livre (apneia).

Para quem adora desafios, talvez um dos maiores da sua vida foi encontrar um meio de unir a medicina e os esportes radicais. Durante a faculdade, ela sabia que estava fazendo o curso certo, mas não pretendia ficar fechada o dia todo em uma clínica ou hospital. "Quando eu sai da universidade (2007), arrumei uma maneira de conciliar a minha paixão, que é estar em contato com a natureza, com a minha profissão". Karina foi a primeira médica da América do Sul a se especializar em uma área da saúde criada em 1982, na Califórnia (EUA), a Wilderness Medical - medicina de emergência e resgate em áreas remotas. "É a medicina de guerra, de selva, do mergulho, de alta montanha", explica.

Segundo Karina, o local de trabalho desses médicos é nada comum. "Esses lugares exigem um conhecimento especial. Há coisas muito especificas. E quando você está em condições extremas, precisa de um treinamento diferente", diz. Não é à toa que o lema dessa especialidade é "Adaptar, Improvisar e Superar Dificuldades". Assim que terminou a pós-graduação e voltou ao Brasil, Karina abriu uma empresa com um colega ortopedista, a Medicina de Aventura. Ela já trabalhou como médica em acampamentos de montanhistas na Cordilheira do Himalaia e em uma grande expedição que subiu a maior montanha da Europa, o Monte Elbrus, na Rússia. Também atuou em diversas corridas de aventura e competições de mountain bike.

Paralelamente à Medicina de Aventura, a paulistana toca uma outra carreira, que começou quando ainda era estudante universitária. Como campeã de wakeboard, nas entrevistas para emissoras de televisão, ela acabou sendo chamada para um teste para apresentadora de um programa na Sport TV, o Zona de Impacto, que durou dois anos, interrompido por conta da especialização nos EUA. Quando voltou, retornou à TV, passando por várias emissoras e sempre mostrando esportes radicais. Atuou na Record, no Multishow, Canal Off e Discovery Chanel. Hoje, a médica está no "Aventuras Urbanas", do Esporte Espetacular (Rede Globo), onde estreou com adrenalina nas alturas. Ela fez uma apresentação de wingwalk, um dos esportes mais perigosos do mundo, em que o atleta caminha sobre as asas de um avião de acrobacia, durante o voo.

Trabalhando como médica ou gravando para a TV, Karina já visitou 80 países. No Nepal, esteve cinco vezes e essas viagens proporcionaram a ela uma grande amizade com os nepaleses. Uma amizade que a fez pegar sua mochila de médica aventureira e viajar para o Nepal dois dias após o violento terremoto de maio de 2015. Com a ajuda de familiares e amigos, a atleta conseguiu arrecadar dinheiro para construir poços comunitários em cinco vilas do Vale Patle. Na semana que vem, ela lança, junto com o fotógrafo Andrei Polessi, o livro de fotos Dharma, cuja renda será usada para construir uma nova escola no Nepal.

Na semana passada, Karina esteve em Curitiba, a convite da empresa Neoplan, para ministrar a palestra "Qual o seu Everest?". Nessa conferência, a médica faz uma analogia entre as aventuras e desafios enfrentados na prática dos esportes radicais com os desafios que vivemos no dia a dia. "Não só na nossa vida profissional, mas em qualquer momento da nossa vida, vai ter uma situação em que você terá que superar um desafio. E o ser humano precisa disso. O ser humano não foi feito para ficar cem por cento na zona de conforto", analisa.

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