Enquanto boa parte dos brasileiros que mora nos Estados Unidos ainda está assustada com os últimos acontecimentos muitos pensando até em voltar para o Brasil, um casal de gaúchos se prepara para embarcar para lá no final do ano. Pelo menos nos próximos dois anos Mercedes e Antonio Panizzi irão morar nos Estados Unidos, onde irão integrar a equipe brasileira do Labex, laboratório virtual da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, ligada ao governo federal).
''Nesse mundo globalizado os problemas podem estar em qualquer parte'', afirma Antonio Panizzi, que diz que eles não vão mudar os planos. ''A vida continua'', completa Mercedes.
No mês que vem, o casal embarca para os EUA para um reconhecimento de áreas potenciais onde deverão fixar residência. ''Provavelmente será Illinois'', explica Panizzi. O QG do Labex-EUA fica em Washington, com equipes brasileiras também na Califórnia e Nebraska. (leia mais sobre o Labex nesta página)
Não vai ser a primeira vez que o casal estará morando no exterior. ''Temos uma boa vivência internacional'', conta Mercedes. Durante quatro anos, moraram na Flórida, onde ela fez o mestrado e ele, doutorado. Além dos anos que moraram nos Estados Unidos, o casal também tem percorrido o mundo participando de palestras em congressos internacionais e fazendo pesquisas e colaborações em universidades estrangeiras. A pesquisa para o doutorado de Mercedes foi feita no Japão, onde passou seis meses. Panizzi foi consultor da FAO na Turquia.
Gaúchos de Passo Fundo, os pesquisadores se mudaram para Londrina em meados da década de 70, para trabalharem na Embrapa Soja. Ambos são engenheiros agrônomos, mas fazem pesquisas em áreas diferentes. Ela na área de tecnologia de processamento de matéria prima alimentar e não alimentar e ele, no manejo de pragas, doenças e ervas daninhas.
Por uma coincidência, eram duas das seis áreas de pesquisa que estavam indicadas no processo de seleção para o Labex. ''Vimos que preenchíamos os requisitos e resolvemos nos inscrever'', conta Mercedes. ''Mas nós corríamos o risco de um ser selecionado e outro não'', completa. Caso isso acontecesse, um ''plano B'' já estava preparado. ''Se um de nós não fosse selecionado, iria partir para um pós-doutorado por lá'', lembra o casal, que de forma alguma iria se separar.
Das 40 unidades da Embrapa espalhadas pelo Brasil, a de Londrina é a única a ter dois pesquisadores selecionados para o Labex. De certa forma é uma ''deferência para a Embrapa Soja/Londrina'', diz Panizzi, que tem um contrato de dois anos com o Labex, que pode ser renovável por outros dois anos. ''Decidimos trocar o nosso enfoque de vida, até então era só pesquisa'', explica Panizzi sobre a decisão de se inscrever no projeto. Além disso, ''vamos estar em contato com as últimas novidades das nossas áreas'', completa Mercedes, que assim como os outros participantes do Labex, vai estar sujeita às leis do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

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