Profissão entreter
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sábado, 28 de fevereiro de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
"Ainda nem consegui descansar", conta o jornalista Rafael Arruda, recém-chegado de uma temporada na Europa. Passou pelo Festival de Cinema de Berlim e ainda revisitou Roma. "Foram 10 dias, 10 programas", contabiliza Arruda, que, realmente, não foi para lá a passeio. No comando do programa Entretendo, da TV Tarobá, o jornalista londrinense há oito anos se posiciona em frente às câmeras para falar de cinema e tudo o mais ligado ao entretenimento.
Com um currículo inusitado, Arruda começou aos 14 anos no teatro. Mas antes mesmo já tinha sua porção showman. "Na escola, sempre que tinha trabalho em grupo, era eu que ia apresentar", diverte-se. E foi à base de risadas que contracenou com o icônico palhaço Picolino, no Circo de Palhaços Picolino. "Ele que escolheu meu nome, Palhaço Camisinha", conta. Além do apelido, o espetáculo rendeu o convite para participar do projeto Plantão Sorriso, com suas visitas às crianças internadas.
"Foram 10 anos de Plantão Sorriso e isso me ajudou muito na improvisação. A gente chega com 30% de roteiro, os outros 70% são improviso", explica Arruda. E o que ele aprendeu nessa época, traduziu para a televisão, seu veículo há cerca de oito anos. "Não queria fazer uma escolha que me engessasse", lembra sobre a opção pelo curso de jornalismo. "O curso tem como primeiro título a comunicação", enfatiza.
Arruda até chegou a trabalhar no jornalismo impresso, em uma passagem por uma revista, mas foi em frente às câmeras que se encontrou. Não que ele não esteja também pelos bastidores. Pelo contrário, o programa é todo produzido pela produtora do jornalista, que acaba de inaugurar um escritório e está com o estúdio novinho em folha.
Para quem acha que a vida de quem tem programa semanal é mais tranquila, Arruda avisa: "aquela uma hora é o único momento em que não estou trabalhando, que fico só assistindo", garante. "A equipe trabalha a semana inteira no programa", diz o jornalista, que está chegando ao programa de número 400 com fôlego de quem está só começando.
A bordo do novo estúdio e com a mala recheada com os 10 programas gravados na Europa, Arruda promete muitas novidades para este ano. "Estreamos um quadro de entrevista digital pelo skype", conta, sobre o jeito de deixar grandes nomes do entretenimento ainda mais próximos do seu telespectador. Outra novidade do programa é, na verdade, um revival. "É a volta do Câmera por um dia, que lançamos lá no início. Todo mundo achou divertido, uma ideia original, mas naquela época é porque a gente não podia mesmo pagar um segundo câmera", conta dando risada.
Enfrentar adversidades encontrando soluções inusitadas é uma das características do jornalista. Quando teve a ideia do programa, passou por todos os canais de televisão de Londrina e ouviu vários não em sequência. Até que conseguiu "com o risco todo meu", lembra, ir ao ar. Começou com um programa de 30 minutos todo dedicado ao cinema. Pouco tempo depois dobrou o tempo e deu mais espaço a outros assuntos. "A cultura é a minha linha condutora", avisa.
"Diziam que não sobreviveria, que a cidade não ia suportar", lembra o apresentador sobre as reações negativas na época do lançamento. Oito anos se passaram e o "Entretendo" segue mais vivo do que nunca. "Fomos um dos primeiros do País a ser HD. Assim que saiu o equipamento, compramos", conta Arruda.
Quando montou o projeto do programa, o jornalista conta que tinha o sonho de ir para Gramado, o que aconteceu cerca de duas semanas depois da estreia. A premiação do Oscar também estava na lista. "Seis meses depois estávamos lá", orgulha-se. Em meados de fevereiro esteve em Berlim cobrindo, pela segunda vez, o Festival de Cinema. Por lá conseguiu duas entrevistas históricas com os diretores Walter Salles, do Brasil, e o alemão Win Wenders, grande homenageado da edição 2015 do Festival.
"São dois mil jornalistas credenciados de todo o mundo", conta Arruda, que sentiu o prestígio de representar o Brasil em Berlim. O ator Chris Hemsworth também entrou na lista de entrevistados. "Hoje todo mundo tem acesso a tudo, mas eu sou daqui, deixo o evento mais próximo do público daqui", explica.


