Procuram-se mulheres bonitas
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 2009
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
O que define um empreendedor é também sua capacidade de dar a volta por cima. De reinventar-se. E o empresário John Casablancas se enquadra bem nessa definição. Só o que chega ao grande público, ''detalhes'' como a queda espetacular da Elite, uma das maiores agências do mundo, depois de um escândalo envolvendo um dos sócios da empresa; o casamento com uma modelo 32 anos mais jovem do que ele, nos anos 90; e a briga com Gisele Bundchen, uma de suas ''criações'' mais famosas, já renderiam histórias interessantes de queda e superação. Mas isso tudo fica quase em segundo plano ao analisar a biografia do empresário americano. As histórias curiosas da vida dele estão descritas no livro ''Vida Modelo, aventuras e confidências do inventor de top models'', recém-lançado pela Editora Agir.
O livro é promessa antiga, mas só agora sai do papel. Nele, o empresário desvenda os mistérios capazes de elevar mulheres bonitas à condição de super modelos. Ele próprio, se não inventou a trama, criou e até impôs os cachês altíssimos que as modelos passaram a ganhar já na década de 70, quando ele fundou a Elite, a número um entre as agências do planeta. Mas antes disso, Casablancas não era levado muito a sério no mundo dos negócios. Nem mesmo pela tradicional família catalã.
Embora desacreditado pelo pai, no começo da carreira, pelas incríveis aventuras que se metia quando jovem, foi a família que o salvou financeiramente em vários momentos de crise e operações desastrosas antes (e até pouco tempo depois) dele decidir fazer do gosto pelas mulheres bonitas e boa vida uma profissão.
Filho de espanhóis, ele viveu a maior parte da vida na Europa. Estudou nos melhores colégios da Suíça e foi em um deles, antes de entrar para faculdade, que perdeu a carta de recomendação do colégio depois de uma aventura amorosa nas dependências da escola. Hoje, aos 65 anos, casado com a brasileira Aline Wermelinger, de 34, com quem tem cinco dos sete filhos (um deles Julian, vocalista da banda Strokes), Casablancas promove mais uma reinvenção. Abre uma nova agência e lança um concurso de beleza, anos depois de ter praticamente lançado o primeiro concurso do gênero no Brasil. Em rápida passagem por Curitiba para lançar as duas novas empreitadas, ele conversou com a FOLHA sobre as mudanças desse mercado recheado de glamour e disputas.
''A moda está em movimento perpétuo, mas na verdade não muda muito. O que muda são as aparências, o exterior. As roupas são um pouco diferentes, os clientes também, mas a essência é a mesma'', analisa, sobre uma possível dificuldade em retomar o trabalho em uma época no mínimo economicamente alterada. Tanto que admite: ''Os cachês reduziram muito e também aconteceu uma banalização da profissão''. Para Casablancas, a mudança da relação entre a agência e a modelo contribuiu para criar uma geração de modelos descartáveis. Situação que ele planeja mudar ao sair bruscamente da sua confortável aposentadoria e da rotina de morar metade do ano na Florida e a outra metade no Rio de Janeiro para lançar o concurso Beleza Mundial.
A empreitada, digna de quem não para de inventar moda, consiste num orçamento milionário e em recrutar cerca de dois milhões de olheiros em todo o Brasil. Os números surpreendem, claro, mas a estratégia é cadastrar manicures e cabeleireiros para fazer o trabalho que o empresário nunca deixou de lado: apontar moças bonitas e indicá-las para um possível estrelato. E nomes de peso não faltam na lista de descobertas de Casablancas ao longo de sua carreira.
Além de Gisele, a quem acusa abertamente de traição, ele já agenciou nomes como Claudia Schiffer, Cindy Crawford, Naomi Campbell, Linda Evangelista, Isabella Rosselini e Nastassja Kinski, para citar algumas. Sobre Gisele, ele não poupa palavras, nem na entrevista e muito menos no livro, onde não esconde a decepção com a top. ''Mas não posso fazer nada, só posso relatar a história como relato no livro para deixar que os leitores decidam se ela é tão bonita por dentro quanto é por fora''. Gisele trocou de agência no auge da carreira em uma operação polêmica e, claro, abominada por Casablancas.
Mas ele também não esconde que quer buscar novas ''giseles'' com o concurso. Para quem conhece o mundo todo, o Brasil é celeiro ideal para essas descobertas. ''Quero voltar ao velho padrão de beleza, que são mulheres de verdade, que correspondem à realidade. Não é aquela mulher andrógena, magra e robótica''. O concurso deve começar a apontar as primeiras vencedoras já em junho de 2009. Os recrutadores são milhares, mas a palavra final será de Casablancas, que avisa: ''vou descobrir mulheres bonitas e diferentes. E se os produtores de moda disserem não, vou continuar com minhas modelos até que de joelhos eles venham me pedir, por favor, para poder utilizá-las nos editoriais''. A meta é, mais uma vez, reinventar o mercado. Vida longa ao rei.
Serviço: Mais informações sobre o Concurso Beleza Mundial no site www.belezamundial.com.br


