Previsão do tempo para o seu guarda-roupa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de abril de 2001
Karla Matida De Maringá 
Apesar do xadrez, dos casacos e das botas já darem o ar da graça nas vitrines, os dias mais frios do outono-inverno ainda são só lembranças (ou desejos). Mas para o pessoal da moda, já é tempo de pensar na primavera-verão do ano que vem. As datas da temporada de desfiles da São Paulo Fashion Week foram definidas (leia texto nesta página), algumas coleções estão prontas e as tendências, na ponta da língua.
Toda essa antecipação não é exagerada, e sim uma necessidade comercial e industrial. Não por acaso, a Rhodia Poliamida/Amni promove workshops de tendências por todo o Brasil. Na última quinta-feira foi a vez de Maringá, onde aconteceram palestras e exposição de tecidos daquilo que, provavelmente, vai estar no seu guarda-roupa na primavera-verão 2001/2002.
Durante cerca de uma hora, a assessora de estilo Daniela Bongiorni falou sobre cores, tecidos e modelagens para uma platéia atenta formada por confeccionistas, estudantes e profissionais de moda. Para ela, a primavera-verão irá resgatar décadas passadas, além de valores do passado. Da sofisticação dos anos 30, ao college dos anos 50 e os punks dos anos 80.
O xadrez, que já virou coqueluche antecipada do inverno, também vai marcar presença na primavera. Mas o fundo será mais claro, explica Daniela, que lembra que para os dias mais quentes (os próximos), o xadrez vichy (de toalha de mesa) será uma boa aposta.
As listras multicoloridas também estarão em alta, assim como a risca de giz, que vão ajudar a compor o visual andrógino, em que as mulheres se vestem com os clássicos do guarda-roupa masculino, como os ternos. O exagero da feminilidade está diminuindo, lembra a assessora de estilo, que cita o exemplo da volta da modelo Kate Moss nas campanhas de grifes importantes.
Por outro lado, as saias minissaias, principalmente, serão constantes no verão brasileiro. As saias são amplas, com cintura bem marcada e vão combinar com as camisas justinhas, como mandava o figurino dos anos 50. Se a escolha for a década de 80, Daniela alerta para o perigo das ombreiras. A alfaiataria está suavizada, mais sutil e delicado, explica.
As flores gigantescas, que já estamparam as passarelas de Versace, também terão vez em terras tupiniquins, sempre com fundo claro. Na cartela de cores, as gamas de marrons aparecem em três dos quatro temas preparados por Daniela Bongiorni, que dividiu em quatro as tendências primavera-verão: Prático, Emoção, Prazer e Distorção.
Para cada um dos temas foram escolhidas cores e texturas, sendo que o Prático é o tema mais urbano, é a roupa de trabalho inspirada na arquitetura. As roupas ganham zíperes e se tornam peças mutáveis. O tema emoção trabalha com os clássicos masculinos, os ternos e a androginia, mas também exploram o romantismo. Para Daniela, o tema Prazer é o mais kitsch de todos, porque é o que faz a mistura de religiões. É onde estão as listas multicoloridas e o xadrez vichy. No tema Distorção, a inspiração é a tecnologia, com acabamentos resinados e a roupa construída no equilíbrio: se é amplo em cima, nada de volume embaixo.
Pontos fortes? As apostas são os plissados, as minissaias (ou shorts) e vestidos. Para a Daniela Bongiorni, a malha da estação é o jérsei, que oferece fluidez e bom caimento.


