Um dos homens mais ricos do estado, o empresário curitibano Roberto Demeterco dedica boa parte do seu tempo a difundir os ideais do Projeto Não-Violência para ajudar a tornar o País menos violento
Ele está na idade em que a maioria das pessoas com a sua condição financeira só quer saber de desfrutar um pouco do que a vida tem para oferecer de bom. Aos 58 anos, 44 dos quais de profissão, três filhos muito bem criados, três netos e com uma fortuna acumulada com a venda do Grupo Mercadorama, o empresário curitibano Roberto Demeterco poderia estar levando a vida que todo mundo pede a Deus.
Em vez disso, optou por empregar metade do seu tempo na disseminação de um ideal nascido na Suécia: o Projeto Não-Violência, que ele defende com tenacidade e entusiasmo desde que deixou o cargo de principal executivo dos 13 supermercados da família, vendidos ao grupo português Sonae há dois anos. O valor do negócio é mantido em segredo até hoje, mas a rede, uma das mais tradicionais do Paraná, fundada há 85 anos por seu avô, Pedro Demeterco, faturava, até 1998, 500 milhões de dólares por ano. Depois da venda da empresa, ele montou a Demercado S/A, que atua na operação logística de produtos alimentícios para o varejo e tem como cliente a própria rede Mercadorama.
Nome respeitado no meio supermercadista nacional – presidiu a Associação Paranaense de Supermercados e foi vice-presidente da entidade em nível nacional –, Demeterco é o atual presidente da Associação Brasileira de Automação Industrial, que gerencia o código de barras, e do Conselho Nacional dos Institutos Liberais do Brasil. Mas é a Organização Não-Governamental Associação Projeto Não-Violência Brasil, que ele também preside, que lhe toma grande parte do tempo. A sede nacional funciona em seu escritório, no Cabral.
Formado em Direito, Roberto Demeterco é um homem discreto, de fala mansa e gestos cordiais, que não tem o hábito de frequentar as festas da sociedade curitibana, exceção aberta para partidas de golfe no exclusivo Graciosa Country Club e à participação em torneios nacionais, ao lado da mulher, Cléa. Seus amigos o definem como uma pessoa extremamente simples e muito apegada à família. Como empresário, sempre buscou uma aproximação com os funcionários e constantemente era visto trocando idéias com eles. Seu primeiro contato com o Projeto Não-Violência aconteceu em novembro de 1997, quando foi convidado para participar de um seminário em Miami para dirigentes de empresas que patrocinavam eventos esportivos. Um dos palestrantes era o sueco Rolph Skoldebrand, fundador do projeto que procura atacar as causas da violência. Demeterco diz que ficou entusiasmado com o que ouviu, principalmente com os resultados que a idéia vinha produzindo nos países onde é aplicada. ‘‘No jantar de encerramento me aproximei dele, começamos a conversar e trocamos nossos e-mails’’, conta.
Quando lhe perguntam por que se encantou com a idéia, a ponto de introduzi-la no Brasil, onde o problema da violência é um imenso desafio nacional, ele responde com simplicidade: ‘‘Não dá para passar por este mundo sem fazer alguma coisa pela sociedade, principalmente neste momento em que ela está perdendo sua liberdade por causa da violência’’. Uma frase de Martin Luther King Jr., usada como lema do projeto, o tocou especialmente e o fez decidir voltar para o Brasil disposto a implantá-lo aqui: ‘‘Não é a violência de poucos que me assusta, mas o silêncio de muitos’’. Roberto Demeterco resolveu fazer a sua parte.
Para dar conta do desafio a que se propôs, ele montou uma pequena equipe, na maioria composta por voluntários que o auxiliam na implementação e divulgação da proposta. São cinco diretores, três coordenadores, uma pedagoga, uma psicóloga e uma pessoa que cuida da parte administrativa. Um profissional de marketing deve se agregar ao grupo brevemente. Apesar da colaboração de algumas empresas e pessoas físicas, muitas das despesas são bancadas pelo próprio Demeterco. E não são poucas: viagens constantes pelo Brasil para dar palestras, uma ou outra para o exterior e tradução do farto material didático. No ano passado, despachou duas voluntárias para os Estados Unidos para se inteirar do funcionamento do projeto. Para poder se dedicar com mais empenho à causa, o empresário delegou a administração dos seus negócios particulares aos filhos José Luiz e Rodrigo. Seu maior prazer é falar sobre o assunto, principalmente sobre os primeiros resultados já alcançados.

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