Prazeres da vida
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba Prazer em trabalhar é uma das buscas incessantes do ser humano. Muita gente se frustra por ter de trabalhar e não conseguir espremer de seu ofício nenhuma alegria a não ser o dinheiro do final do mês. Para o empresário Mauro Tessler as coisas não são bem assim. ''Meu trabalho é prazeiroso, não fico rezando para que chegue às seis da tarde e eu possa ir embora. Vejo que a maioria não gosta do que faz. Comigo foi ao contrário. Eu, como pessoa física, só existo porque gosto do que faço'', comenta.
E gosta mesmo, o agrônomo virou paisagista e depois florista há 20 anos quando abriu sua Gazebo em Curitiba. Meio sem saber o que fazer na vida, ouviu os conselhos do tio famoso, o arquiteto Júlio Pechmann, e abriu uma loja que oferecia plantas para decoração de interiores. Para evitar seguir a carreira do tio e se tornar um arquiteto ''sobrinho do Júlio'', escolheu o curso de Agronomia.
''Foi na época em que a Rede Globo lançou as primeiras campanhas de ecologia, de cultivar samambaias. Fui fazer Agronomia por gostar de ecologia, depois vi que o curso não tinha nada a ver com isso. Hoje trabalho com flores, com plantas e com momentos alegres das pessoas.''
Essa escolha de Mauro foi uma espécie de caminho que tomou para determinar tudo que queria usufruir em seu trabalho e em sua vida. Ele adora, por exemplo, acompanhar a trajetória de vida de seus clientes. Mulheres que compraram com ele uma flor antes de ganharem neném e que agora organizam festas de 15 anos para os filhos lá. Famílias que realizaram a primeira festa com suas flores e que hoje comemoram Bodas de Prata. ''Meu terapeuta falou que a flor está presente em todos os momentos da vida das pessoas. Desde o nascimento até a morte. Eu parei na morte. Eu não faço flores para coisas tristes. O meu produto está na vida inteira das pessoas e eu acompanho isso. É muito bacana.''
Em 20 anos de história, Mauro vem aprendendo mais do que lidar com a sazonalidade das plantas e flores que utiliza em seu trabalho. Foi um período truncado, segundo ele, mas que o levou a um profundo processo de evolução de um trabalho que foi pioneiro na cidade. Nos primeiros tempos, cursos em Nova York o ajudaram a desenvolver técnicas novas de arranjos que acabaram por se tornar sua marca registrada.
Tessler ficou conhecido por conseguir colocar em pequenos frascos belas flores ou ainda por oferecer arranjos que até então fugiam dos tradicionais. ''Começamos com a idéia de colocar plantas dentro de casa. Naquela época não existia esse conceito. Depois passei a fazer jardins e depois vieram as flores de corte. Em Nova York vi uma forma diferente de mexer com flores. Antes disso só existiam floriculturas. Rosas, cravos, crisântemos, papel de plástico. Nós começamos a introduzir uma nova forma de trabalhar com flor.''
Hoje enfrenta novos desafios como a inexistência de mercado em épocas como o Natal.
''O Natal acabou. Estamos com movimento por causa de festas de casamento e aniversários'', conta ao explicar como conseguiu determinar um sucesso, frente aos seguidores e concorrentes que surgiram da época em que começou até hoje.
Para Tessler, a prosperidade é bem como o que vê acontecer com seus produtos de trabalho. ''No início, quando não tínhamos movimento e minha mãe ainda me ajudava, eu queria desisitir e ela insitia que não. Dizia que tínhamos que plantar a semente para colher na frente.''
E assim vem sendo. Tessler foi além das plantas e oferece até mobiliário para festas. Virou um ''fazedor de eventos''. Esta foi uma das fórmulas para combater a falta generalizada de dinheiro no mercado. Outra ''técnica'' para afastar a crise foi a montagem de um quiosque de flores na calçada da loja. Popularizando suas flores que, no início só eram compradas por quem tinha poder aquisitivo alto, ele facilitou a entrada da prosperidade em seu negócio. ''Eu era considerado careiro, tive que mexer e abri a loja para todo mundo, assim consegui estar aqui. Se não fosse isso estaria morto'', conta.
Versatilidade que serve de exemplo para quem ainda só pensa em reclamar da vida. Trabalhando num ramo complicado há mais de 20 anos com um espírito voltado para o prazer, Tessler vai em frente, sem se precocupar com badalações. '' Gosto de sair e de festas, mas acho que para aparecer tem que ser por você ter feito alguma coisa legal. Ao contrário o destaque não tem valor nenhum'', completa.


