Um é advogado e o outro quase se formou em engenharia florestal, mas nas voltas e voltas que o mundo dá Anderson Pisanelli e Cirilo Landi acabaram se transformando em joalheiros, que de tão apaixonados pela profissão até moram no ateliê.
De volta a Londrina depois de morar em São Paulo e na Itália , a dupla abriu um ateliê-oficina e há cerca de três anos também transmite seus conhecimentos aos alunos da escola de joalheria, onde são professores e proprietários.
''Em geral, nossos alunos são pessoas que querem mudar de profissão, ou apenas procuram algo diferente para relaxar'', explica Anderson, o advogado, que, é claro, tem muita experiência em trocar de profissão. ''Fiz Direito, mas sempre tive um pé na moda e outro na arte'', conta o joalheiro, que também está de volta à faculdade, só que desta vez para o curso de Artes.
No início do mês, Pisanelli e Landi lançaram uma nova coleção chamada ''Ornamentos da Terra'' com forte influência no Oriente. ''Uma amiga que mora em Hong Kong nos trouxe algumas pedras e peças de antiquários'', conta Pisanelli. O resultado são peças que misturam jade, ouro, coral e prata, deixando claro que eles gostam mesmo é de fugir do convencional.
''Não rejeitamos nenhuma proposta e estamos sempre abertos a idéias novas'', dizem os sócios. Eles já chegaram a trabalhar com madeira e prata em objetos de decoração. ''Mas hoje só fazemos esses objetos por encomenda.''
E o fato de aceitar as idéias dos clientes acaba se transformando em diferencial. ''Como nós somos pequenos podemos fazer isso e deixá-los interagir no ateliê e na oficina'', explica Pisanelli.
Segundo o joalheiro, a personagem Ramona, vivida por Cláudia Raia na novela global As Filhas da Mãe, acaba sendo uma inspiração para quem busca algo novo nos acessórios. As peças que ela está usando são do joalheiro Antonio Bernardo, que por sinal tem formação de engenheiro civil.
''A indústria do luxo vive do artesanal'', sentencia Anderson Pisanelli. Ele lembra que os vestidos de alta costura são feitos artesanalmente. E de moda a dupla entende. ''Sou da turma do Fause Haten'', conta Anderson, que estudou em São Paulo com o badalado estilista. Já Cirilo Landi fez a especialização em moda na UEL, mas não troca por nada os metais pelos tecidos.
Do mundo fashion para as jóias, os dois trouxeram a sistemática das coleções. ''A idéia é fazer duas por ano por enquanto com lançamento próximo das datas importantes como Natal e Dia das Mães e depois aumentar para quatro'', explicam.
O tema oriental, que inspirou a novíssima coleção, também parece conduzir a sociedade dos joalheiros. ''Um é yin e outro yang'', explica Anderson, baseado na filosofia oriental. Na divisão das tarefas, os dois são responsáveis pela criação. ''Quando um gosta já é meio caminho andado'', afirma.
A clientela? De acordo com a dupla, a receita de sucesso é o bom e velho ''boca a boca''. Apesar de estarem no mercado há apenas dez anos, os dois já conseguiram conquistar até três gerações de uma mesma família. ''Uma das nossas clientes trouxe a filha e a neta, que acabaram virando compradoras'', conta Anderson.
Aliás, essa mesma cliente acabou arrematando as principais peças da coleção as de jade chinês, sem nem sequer dar tempo para as outras suspirarem pelos colares.

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