Na semana passada, a curitibana Viviana Coelho esteve em Londrina para a posse da nova diretoria de uma das empresas que presta consultoria ambiental. Mesmo com as questões de preservação do meio ambiente cada vez mais na ‘‘boca do povo’’, o trabalho de Viviana ainda não é de total domínio público. Aliás, ela é uma das pioneiras do setor no Brasil. Formada em engenharia química e biologia, em 1995, Viviana embarcou para Londres, onde fez mestrado em Tecnologia e Gestão Ambiental no Imperial College of Science. ‘‘Foi uma união das duas áreas nas quais tinha me formado’’, conta.
Como consultora ambiental há sete anos, Viviana desenvolve principalmente trabalhos com indústrias que buscam controle da poluição. No currículo, tem mais de 70 auditorias ambientais para clientes franceses, ingleses e brasileiros.
‘‘Antes existiam o industrial poluidor e o ambientalista utópico’’, lembra a consultora ambiental. ‘‘Hoje é possível conciliar negócios com prevenção e preservação’’, completa. Em um artigo publicado na Folha, Viviana diz que na contabilidade ambiental moderna, situações ambientais adversas são consideradas como despesas potenciais, uma vez que, mais cedo ou mais tarde, deverão ser corrigidos.
No Brasil, de acordo com a consultora, São Paulo é o estado mais capacitado para lidar com questões industriais e ambientais. ‘‘Em compensação, eles têm mais problemas’’, conta. ‘‘O que falta, não só no Brasil, mas no mundo todo, é a gestão integrada’’, explica Viviana. ‘‘É o planejamento público preocupado com o ambiente’’, completa.
Na gestão integrada, um município faria um planejamento detalhado dos locais onde deveria construir indústrias, levando em conta o vento, lençóis freáticos e outros fatores importantes. ‘‘Pensar nisso depois que a indústria está pronta sai mais caro’’, afirma.
Recentemente, a consultora esteve em Araucária para uma auditoria na Cofepar (motivo de discussão acaloradas entre Ongs ambientalistas, indústrias e poder público). O resultado do estudo feito pela ZM Projetos – da qual Viviana é sócia – acabou agradando à Prefeitura, que ficou interessada em uma gestão municipal.
Nas horas vagas, Viviana também pensa no meio ambiente. É uma das voluntários da Ong Foca. Um dos projetos em andamento é voltado para a educação fundamental. ‘‘São fichas com sugestões de trabalho para o professor. É um suporte com dicas para ensinar educação ambiental. Com isso, mais do que a criança aprender que duas bananas mais três bananas igual a cinco bananas, ela pode refletir sobre a produção de lixo de uma cidade, por exemplo, fazendo os cálculos por pessoa’’, explica.
O projeto da Foca tem apoio da Unesco e, a princípio, será direcionado para escolas parananeses. ‘‘O objetivo é transformar em um programa de especialização para os professores’’, afirma a consultora ambiental.

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