Curitiba - Uma proposta de emprego nos Estados Unidos mudou radicalmente a direção profissional do administrador carioca Daniel Sorrentino. Radicado em Curitiba desde a década de 80, formado em Administração pela Univerdidade Federal do Paraná, com especialização em Marketing, ele trabalhou durante 15 anos na área de franquias. Com a empresa em crise recebeu uma proposta para trabalhar no exterior, mas não foi o emprego - que afinal acabou nem dando certo - que impulsionou a transformação da sua carreira. Antes de viajar, Sorrentino comprou uma máquina fotográfica para registrar as novas paisagens. Gostou tanto do resultado que escolheu a fotografia como profissão.
Atualmente, ele é um dos profissionais mais requisitados de Curitiba. Desde que começou - há pouco menos de dez anos - até agora, muitos flashes foram disparados até que ele se especializasse em três modalidades da profissão: moda, arquitetura e teatro. Sorrentino é o nome por trás do registro dos eventos da área mais importantes da cidade, como o Paraná Business Collection, a Casa Cor e o Festival de Curitiba. Das três áreas, diz não ter preferência para uma especificamente, mas aponta a dificuldade comum à trilogia que escolheu registrar: a necessidade de captar a beleza. ''E a beleza é subjetiva'', afirma.
A formação como fotógrafo começou em um curso do Senac, mas aconteceu mesmo com a experiência. Na viagem relâmpago para os Estados Unidos, por exemplo, ele fez 40 rolos de filmes (a máquina ainda era analógica) em 10 dias. Começou a cobrir eventos até que foi contratado para a cobertura do que seria o embrião do Paraná Business, o Curitiba Fashion Art. No evento, os estilistas também precisavam de editoriais com as novas peças e Sorrentino encontrou um promissor nicho de mercado. ''Brinco que comecei a fotografar moda por acidente'', conta.
Mas nem tudo são holofotes nesse mercado, como ele afirma. Em Curitiba, ainda muito diferente do eixo Rio-São Paulo, o espaço ainda é muito restrito. ''Mas está mudando muito. Hoje a cidade não deixa nada a desejar para outras praças. Temos ótimos estilistas e modelos muito profissionais'', diz. Além dos editoriais periódicos que faz na área e da cobertura de eventos de moda por aqui e fora do estado, o fotógrafo é também responsável pelo blog de moda do Shopping Palladium, em parceria com a jornalista Nereide Michel.
Periodicamente, ele registra imagens dentro de um tema para o espaço virtual, o que rende conversas intermináveis com os colegas em busca de novidades. Para o endereço eletrônico, ele já fez fotos até dentro do elevador, um dos editoriais que ele considera o mais difícil, aliás. ''Não podíamos parar o elevador só para as fotos, então tínhamos de aproveitar a passagem entre os andares para fotografar'', lembra.
Mas o ambiente não é a única dificuldade para o registro de moda, conforme ele salienta. A modelo precisa ser bastante profissional. Por aqui, ele cita as modelos Carla Salomão, Bruna Brito e Carol Scipel como próximas candidatas ao mercado internacional. O trio curitibano, aliás, já tem experiência fora do Brasil e todas já foram captadas pelas lentes criativas de Sorrentino.
Quando o assunto é arquitetura e teatro, uma boa luz é indispensável, segundo ele, mas a criatividade também não pode faltar. E é para salientar essa premissa que o fotógrafo é um verdadeiro entusiasta em reunir ideias. Agora, Sorrentino está criando um coletivo de fotógrafos, com o objetivo de abrir discussões para quando houver editoriais a fazer. ''Sempre achei que várias cabeças pensam melhor que uma. Quando o assunto é fotografia não é diferente'', conta.
Ele já teve uma (boa) experiência no assunto recentemente, quando precisou fazer um book de uma mulher grávida, já com nove meses de gestação. Lançou o desafio no Facebook, uma das redes de relacionamentos mais populares da internet. Em menos de uma hora já tinha uma dezena de boas ideias. O que Sorrentino pretende agora é transformar essa premissa em prática constante e claro, reverter em verba para os autores das ideias. O desafio já está lançado no Facebook e no blog do fotógrafo. São várias câmeras e várias ideias para invadir o mercado.

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