Por trás das lentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de março de 2001
Karla Matida De Londrina 
A fotografia se afeiçoou a mim, conta a curitibana Milla Jung, que começou a fotografar aos 14 anos. Eu estava morando em Buenos Aires numa época em que a situação não estava boa por lá, então passei a registrar as diferenças culturais, com olhos de estrangeira, para mostrar para os meus amigos curitibanos, lembra.
Hoje, aos 26 anos, Milla continua documentando e contando histórias em suas fotografias. Até o dia 10 de abril, os londrinenses poderão visitar a exposição Pataxó: Um Índio no Espelho, na Secretaria de Cultura de Londrina, onde Milla mostra 60 fotografias em preto e branco dos índios pataxós de aldeias próximas a Porto Seguro, na Bahia. Ainda no primeiro semestre, a exposição irá passar por Cascavel e Foz do Iguaçu. O objetivo é viajar pelo País, conta Milla, que teve o patrocínio da Telepar BrasilTelecom, por conta da Lei de Incentivo à Cultura.
Formada em jornalismo pela PUC-Curitiba, a fotógrafa também fez especialização em documentação fotográfica em Nova York, além de ter trabalhado em uma escola de artes visuais em Praga, na República Tcheca. Os tchecos são os melhores fotógrafos do mundo, afirma. Eles usam pouquíssimos equipamentos, explica Milla, que também segue a escola tcheca quando faz fotografias autorais.
As fotografias comerciais exigem mais precisão e mais equipamentos, diz a fotógrafa, que costuma diferenciar o lado comercial do autoral pelas cores, ou pela falta delas. O trabalho comercial é colorido e o autoral, preto e branco, conta.
Amo a fotografia, mas tenho fotografado menos. Tenho buscado coisas mais específicas, explica. De acordo com a fotógrafa, é o homem que me empolga, a emoção é o ficar nos lugares, conta Milla, que passou cerca de quatro meses em Porto Seguro, para fotografar os índios pataxós. As pessoas mais simples são as mais sábias, diz a fotógrafa que volta a acreditar nas pessoas em suas temporadas fotográficas. As pessoas que ela fotografa passam esperança, alegria e gentileza.
Ficar nos lugares é o que me interessa. Eu posso até nem revelar o filme, que já vai ter valido a pena, garante. Os processos de revelação e ampliação são só as considerações finais do meu trabalho, completa.
Mas ainda existem muitas histórias para serem contadas, garante Milla, que quer continuar a fotografar o homem latino-americano.
Planos para fotografar Curitiba? Eu sempre saio de lá para fotografar outros lugares. Mas ainda vou fazer uma foto do relógio parado da XV (próximo à Rua Schaffer), que marca 4h15. Para mim, é como se aquela região tivesse parado de certa maneira.
E parar o tempo é uma das propriedades da fotografia, segundo a fotógrafa. a fotografia pára o tempo pra gente questionar, e a foto te leva para o mundo, define.


