A empresária Chieko Aoki esteve em Londrina na semana passada para dois compromissos importantes. Um deles foi o lançamento do hotel Escuna Flat, empreendimento londrinense que será administrado pela rede Blue Tree Hotels & Resorts, da qual é presidente.
No ramo hoteleiro desde 1982, quando assumiu a diretoria de marketing e vendas da Caesar Park Hotels & Resorts, Chieko Aoki nasceu no Japão, mas se naturalizou brasileira, apesar de ter se casado com o japonês John Aoki, presidente do grupo Aoki. Chegou à presidência da rede Caesar em 86, quando também se tornou presidente da Westin Hotels & Resorts, a mais antiga e tradicional companhia hoteleira nos Estados Unidos.
Formada em Direito pela Universidade de São Paulo, USP, e em Administração pela Universidade de Sofia, em Tóquio, a empresária também fez cursos de pós-graduação em administração hoteleira na Cornell University, no Estados Unidos. Poliglota, ela fala fluentemente português, inglês, japonês e espanhol.
Conhecida como a grande dama da hotelaria brasileira, a empresária é sempre sinônimo de elegância, seja pelos tailleurs bem-cortados como pela educação refinadíssima. Sem contar o poder que detém nas mãos. Hoje, a rede comandada por Chieko tem 30 empreendimentos espalhados pelo Brasil – sendo que dois deles estão no Paraná. Um é o Escuna Flat, em Londrina e que deve ser aberto entre dezembro de 2001 a meados de 2002, o outro é em Curitiba, e que será inaugurado no meio do ano que vem.
Por conta da crise no Japão, o grupo Aoki teve que vender o braço hoteleiro – as redes Westin e Caesar Park. Nem por isso a empresária deixou o ramo. Em 97, Chieko Aoki deixou a presidência do grupo para se dedicar ao comando da administradora Caesar Towers, marca criada em 92 para hotéis quatro estrelas.
Em 98, a administradora passou a se chamar Blue Tree Hotels e lançou novas marcas para suas diversas categorias de produtos: Blue Tree Park para hotéis cinco estrelas, Blue Tree Caesar Towers para hotéis quatro estrelas e Blue Tree Plaza, para hotéis três estrelas. A escolha do nome Blue Tree tem relação direta com o sobrenome Aoki, tradução em japonês para árvore azul.
Em dois anos e meio, a eficiência da empresária já conseguiu consolidar a marca, desvencilhando a imagem de Chieko apenas com a rede Caesar Park, a qual ajudou a se tornar conhecida no Brasil e exterior.
Antes de desembarcar em Londrina, a empresária esteve em Porto Alegre, vistoriando um dos empreendimentos e em seguida estava com viagem marcada para Londres, onde participaria de uma feira internacional.
Mesmo com tantas viagens agendadas, Chieko Aoki garante que é caseira. Gosta de ficar em casa, ler, cozinhar, ‘‘como uma dona de casa normal’’, afirma.
Por conta da vida atribulada, a empresária confessa que dorme pouco. ‘‘Gostaria de poder ter mais tempo’’, explica. Mas por enquanto, continua a acordar cedo e dormir tarde. Três vezes por semana, tem a orientação de um personal trainer e começa a se exercitar das 6 às 7 horas da manhã. Nos outros dias, treina sozinha na academia montada em sua casa. ‘‘Tenho uma vida saudável, não gosto de festas’’, avisa.
Mas, quem ouve os planos de expansão da administradora de Chieko imagina que ela não terá mais tempo para nada. O objetivo, segundo a empresária, é ter 70 empreendimentos em sua cartela de negócios. Tudo isso em cinco anos.
Apesar da administradora Blue Tree Hotels só ter empreendimentos em território brasileiro, Chieko não esconde que já pensa em ampliar os horizontes ainda mais. ‘‘Já temos contato com alguns grupos internacionais’’, diz.
‘‘Tenho uma equipe pequena, mas muito atarefada’’, diz Chieko, que lembra que cerca de 75% dos funcionários do seu escritório são mulheres. ‘‘Não sou eu que escolho trabalhar só com mulheres, é uma seleção natural’’, explica.
‘‘No meu setor, a mulher dá mais idéias, ela agrega melhorias para o ramo hoteleiro. É um trabalho ligado à mulher’’, afirma a empresária, que há 20 anos, teve que lutar contra o preconceito – principalmente dos japoneses – de uma mulher no poder. ‘‘Ainda hoje a mulher tem que provar que é capaz’’, garante.
A propósito, o segundo compromisso importante da empresária em Londrna foi a comemoração dos 40 anos de importação de gado indiano, feita pelo pioneiro Celso Garcia Cid. Além da família Garcia Cid, uma das investidoras do Escuna Flat, também participava do jantar comemorativo a família do marajá indiano Vijayaraj Singhji Gohil. Presença que deve ter impressionado até mesmo quem, como a empresária Chieko, já recepcionou o imperador japonês.

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