Qualquer pessoa que converse com Valdir Novaki terá a impressão, no primeiro momento, de estar falando com um administrador que passou anos em uma universidade. Fidelização de clientes, piloto teste, franquias e concorrentes são termos frequentes em suas frases e poucos imaginam que o hoje empresário de sucesso seja também um ex-boia-fria, que estudou apenas até a quarta série primária. À frente do seu carrinho de pipocas ele realizou o sonho de dar uma vida melhor para sua esposa e filho e uma casa para a mãe, como conta emocionado.

Nascido em São Mateus do Sul há 44 anos, esse administrador por vocação se mudou para Curitiba há 27 anos, em busca de uma vida melhor para si e para os pais e 11 irmãos que ficaram no interior. A falta de estudos, entretanto, dificultou a busca por empregos melhores e sua primeira atividade na capital foi em um estacionamento, lavando carros. Depois, trabalhou em uma banca de revistas na Praça Rui Barbosa. Foi lá, observando os ambulantes que entravam para comprar uma coisa ou outra que surgiu o desejo de ter um ponto para vender pipocas. Descobriu que era preciso solicitar a autorização na prefeitura e foi em busca do sonho.

"Eu tinha o conceito de que o milho de pipoca era barato, por isso essa escolha. Fiz o pedido em 1992, o que só foi autorizado 14 anos depois, um ponto na Praça Tiradentes. Nesse período minha esposa e eu conseguimos juntar R$ 5 mil. Com esse valor mandei fazer o carrinho e comprei os equipamentos para iniciar. Restaram R$ 400, que guardei para dois meses de aluguel, caso algo não desse certo. Eu tinha 69 concorrentes e por isso apostei em diferenciações para não ser apenas mais um", conta.

Enquanto aguardava o carrinho ficar pronto, Novaki foi conversar com os potenciais clientes, em busca de saber o que os fazia comprar pipocas na rua, o melhor horário para venda, seu poder de compra. A falta de higiene e de qualidade foi bastante citada e ele viu aí sua oportunidade de se sobressair.

"Eu tinha apenas um jaleco, que minha esposa lavava todas as noites. Assim que possível comprei cinco e mandei bordar os dias da semana, para que meu freguês tenha a certeza de que está limpo", conta sobre uma das suas inovações. O cartão fidelidade, o "chorinho" de pipoca, o álcool em gel para higienização das mãos dos clientes e o kit higiene composto de guardanapo, bala de menta e palito de dentes – substituído hoje por sachê de fio dental -, vieram depois, com a observação do dia a dia.

"Tem que estar atento à necessidade do cliente. Se não cuidar, tem pessoas interessadas (em cuidar). Meu freguês é meu maior patrimônio", afirma. Três anos após o início das atividades é que Novaki foi buscar capacitação e fez curso do Programa Alimento Seguro (PAS). Um dia, um cliente bancário que também dava aulas em uma universidade se surpreendeu com a história do pipoqueiro empreendedor e o convidou para dar uma palestra para seus alunos. Depois vieram outros convites e atualmente Novaki viaja o país dando palestras em empresas, bancos e universidades, além do Sebrae, onde inspira outros pequenos empreendedores.

O expediente no carrinho de pipocas é divido com a esposa e o filho e durante suas ausências é a nora quem se junta à equipe. Pipoca com bacon, de chocolate com coco e pipoca de canjica salgada feita no tacho são as opções, com saquinhos vendidos a R$ 5. O sabor de cada tipo de pipoca foi resultado de um teste feito com pessoas contratadas para esse fim, que provaram diversas opções em uma avaliação realizada com a ajuda de uma nutricionista. "Hoje eu sei exatamente a quantidade de cada ingrediente que vai nas receitas e daqui a dez anos posso continuar fazendo igual."

No final deste mês deve ser lançada mais uma das inovações do pipoqueiro: um carrinho elétrico, movido a energia solar, com direito a TV de LED para os clientes se distraírem e senha de Wi-Fi. "É um projeto caro, que envolveu vários profissionais e que venho preparando desde 2009. Quando a gente traça metas consegue cumprir sem muito estresse. Sempre procuro inovar, porque a partir do momento que você para de inovar, a tendência é quebrar, independente do tamanho da sua empresa", ensina.

Outro sonho que já está sendo planejado é atender aos pedidos de franquia. O carrinho será passado para o filho de Novaki, que deve se formar este ano em Administração de Empresas e aos poucos vai assumindo os negócios. "Tiro todas essas ideias da força de vontade de vencer, de dar uma qualidade de vida decente para a minha família. Só por ter realizado esse sonho tenho a vontade de fazer cada dia melhor, para que eu não venha a passar pelas mesmas dificuldades que eu tive quando trabalhava na roça."

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