Petrônio Gontijo em duas versões
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 2014
Luana Borges<br> TV Press 
Quando se trata de criar um personagem, Petrônio Gontijo funciona quase como uma antena. Tranquilo e estudioso, o ator gosta de absorver o máximo de informações possíveis para desenvolver uma nova personalidade. Seja lendo um livro, assistindo a um filme ou simplesmente por meio de encontros com o elenco das produções em que atua. O que interessa, para ele, é construir um mosaico de referências. Durante esse processo, um detalhe que o ajuda é escolher músicas para cada um dos papéis que interpreta. Foi o que ele fez com o André de "Conselho Tutelar", especial que estreia em dezembro, e o Aarão de "Moisés e Os Dez Mandamentos", novela bíblica da Record prevista para ir ao ar a partir de março. Para o primeiro, Petrônio selecionou canções mais leves. "Algo mais ligado ao mundo dos 'mauricinhos'. É um personagem muito correto, engomado e perfeito", adianta. Para o segundo, o ator se baseou no novo álbum do Criolo, "Convoque Seu Buda". "O disco inteiro é sobre opressão. Acho que esse é o mote do Aarão, ele luta contra a opressão", compara.
Em um intervalo de cerca de três meses, Petrônio será visto na pele de papéis completamente diferentes um do outro. Na trama de "Conselho Tutelar", seu personagem, André, é um promotor de justiça com uma carreira em ascensão e que, à primeira vista, age dentro da lei. Mas funciona como uma espécie de antagonista de Sereno, papel de Roberto Bomtempo, ao dificultar o andamento do trabalho dele. Já na novela de Vivian de Oliveira, o ator encarna o irmão de Moisés, interpretado por Guilherme Winter, um escravo hebreu que encontra no amor que sente pela esposa o único alento na vida. Para Petrônio, ter a oportunidade de viver papéis opostos na televisão em um curto espaço de tempo é um privilégio. "Acho ótimo quando isso acontece. Inclusive porque um personagem vive 3.500 anos atrás e o outro é contemporâneo", destaca.
Para gravar os cinco episódios de "Conselho Tutelar", em abril e março, Petrônio mergulhou em casos verídicos de conselheiros tutelares que conseguiram ajudar crianças a sair de situações precárias ou perigosas. Até então, ele conhecia muito pouco sobre essa profissão. E ficou animado em participar de um projeto que vai além do entretenimento: funciona como uma prestação de serviço. "Todos os atores se envolveram com a causa e queriam que o seriado fosse mostrado rapidamente porque é um auxílio para as pessoas. É informativo", avalia. Já a preparação inicial para "Moisés e Os Dez Mandamentos" aconteceu por duas semanas antes do início das gravações. Durante o "workshop" promovido pela Record, os atores fizeram leituras e ensaiaram com o diretor Alexandre Avancini. Além disso, Petrônio visitou um haras para aprender a tirar leite de cabra e a cuidar de ovelhas. "Acredito que ainda farei outras coisas porque meu personagem é um escravo que trabalha com pedra. Já estou começando a mexer com os aparelhos, mas ainda não tive uma vivência mais intensa", conta.
Apaixonado por seu trabalho, Petrônio é do tipo que gosta de fazer televisão e teatro simultaneamente. Desde que os horários sejam organizados para não prejudicar nenhuma produção e nem o público. Por isso, ele está animado com o fato de estrear em "Moisés e Os Dez Mandamentos" em março e ainda estar em cartaz com a peça "Caros Ouvintes", em São Paulo. "Eu trabalho muito, exaustivamente, não tenho um dia de folga, mas uma coisa ajuda a outra. Você fica desperto, as emoções ficam mais latentes", acredita.


