Curitiba - Ele começou a nadar aos seis anos, e até a adolescência teve um desempenho ''sofrível'' no esporte, como confessa. Filho de Joel Ramalho, jogador e capitão da Seleção Brasileira de Vôlei nos anos 1950, Renato Ramalho, paulista por acidente e curitibano por vocação, pensou em desistir quando foi rebaixado para o time feminino, aos 13 anos. ''Só não desisti porque minha mãe não deixou. Ela disse que até podia parar, mas não naquele momento'', lembra.
A insistência deu resultado. Nos anos seguintes aconteceu o que ele chama de ''momento da virada'' e, em 1984, ganhava o título de Campeão Brasileiro. Uma história de força e perseverança que estava apenas começando a ser desenhada. ''O fato de eu não ter desistido naquele momento foi muito emblemático e, até hoje, quando tenho algum problema, lembro daquela fase'', conta.
Para Ramalho, se ele tivesse deixado a natação e tomado outro rumo teria aprendido o caminho mais fácil. Mas isso não estava nos planos do rapaz. Ele treinou excessivamente na adolescência até atingir um dos melhores desempenhos da categoria. Depois de receber o título de Campeão Brasileiro Sul-Americano, em meados da década de 80, repetiu a façanha nos cinco anos consecutivos.
O treinamento era exaustivo. Ramalho acordava todos os dias às 4h30 da manhã para treinar e só depois ia para escola, mas isso não foi exatamente um trauma para o adolescente. ''Meus amigos também tinham essa rotina'', revela, lembrando que só se deu conta de que a vida podia ser diferente com a passagem do tempo. ''Mas não acho que me sacrifiquei, foi uma opção'', garante.
No vestibular, o já nadador profissional passou em Agronomia na Universidade Federal do Paraná. Chegou a frequentar o curso por dois anos e meio até receber uma bolsa, por conta do esporte, na Universidade Estadual do Arizona, e, em 1995, foi de mudança para os Estados Unidos. Lá, além de nadar, foi capitão da equipe de natação da universidade.
''Foi uma experiência incrível, muito diferente do que as pessoas falavam na época'', revela. Ele ressalta que naquele tempo, o Brasil - e os brasileiros - tinham uma visão diferente de sair do País, achavam que iam sofrer preconceito. ''Mas não foi o que aconteceu comigo, fui tratado muito bem e com muito respeito''.
Aos 19 anos, Ramalho competia na sua primeira Olimpíada, em Seul. Não chegou a conquistar medalha, mas trouxe na bagagem muita experiência. Conhecimento fundamental quando, anos mais tarde, conheceu o amigo e hoje sócio Gustavo Borges, premiado nadador brasileiro. Foi em Barcelona, aliás, que nasceu o embrião do negócio que ambos têm hoje com outros dois sócios (Gustavo Pinto e Felipe Malburg, também atletas): a rede de academias Gustavo Borges, que já tem quatro unidades, duas em Curitiba, uma em Londrina e outra em São Paulo, e contabiliza cerca de 8 mil alunos. Muito acima da expectativa que os dois tinham no início da década de 90.
Foi nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992, que Renato e Gustavo começaram a questionar sobre o futuro e o que fariam depois que parassem de nadar. Perceberam que ambos tinham o sonho de montar uma academia de natação, não apenas para incentivar novos nadadores, mas também para mostrar às pessoas o quanto a atividade física pode mudar a qualidade de vida. ''A importância do exercício físico não está apenas na performance, mas nos pequenos resultados. Conseguir amarrar os sapatos sem ter dor nas costas, por exemplo, é um ganho para uma pessoa antes sedentária'', salienta.
Hoje a rotina de Ramalho é a de empresário, mas ele não deixou de nadar. ''Tornei isso um hábito e essa rotina mudou minha vida'', revela. O mesmo hábito que quer que a filha, Martina, de seis anos, leve como experiência de vida. ''A rotina do exercício dá disciplina e liberta'', ensina, reforçando que isso independe da performance. ''O resultado é consequência'', diz.
Para ele, cada pessoa deve encontrar o seu próprio equilíbrio e ter em mente que o esporte não é uma ciência exata, mas, sim, um caminho que ajuda a conquistar o próprio sonho.

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