Magda Carvalho
Enviada a São Miguel do Iguaçu

Maior produtor do País, o empresário André Maggi é o novo Rei da Soja. Mas nesse reinado não há espaço para festas ou badalações. O trabalho é a semente para o futuro
A produção anual de 2 milhões de sacas não deixa dúvida. O título de Rei da Soja tem novo dono. André Maggi responde hoje por 20% da soja produzida no Brasil. Herdou, com louvor, o trono de Olacyr de Moraes, duplicando a produção de seu antecessor.
Mas, ao contrário de Olacyr, que fez de seu reinado um sinônimo – às vezes exagerado – de glamour, o empresário preferiu adotar outro estilo de vida. Se mantém a distância dos holofotes. O que, muitas vezes, não é tarefa fácil. A mídia tem curiosidade em saber mais sobre a história do patriarca da família Maggi.
Um enredo que teve início há 30 anos, quando ele migrou do Rio Grande do Sul para o Paraná. Bastaram três décadas para construir um império que movimenta cerca US$ 50 milhões ao ano e se estende pelos Estados do Paraná e Mato Grosso. ‘‘Trabalho’’ é o segredo que André Maggi faz questão de revelar.
Prestes a completar 73 anos e longe de pensar em aposentadoria, é ele quem comanda o grupo de empresas que leva seu nome. Com fôlego de um adolescente, acompanha de perto os avanços de cada empreendimento. Pode estar às 7 horas em São Miguel do Iguaçu, na região extremo-oeste do Paraná, e na hora do almoço em Sapezal, no Mato Grosso.
Cruza a distância entre os dois Estados a bordo de um King Air 350, um de seus dois aviões de passeio. A frota conta ainda com cinco aviões agrícolas, que sobrevoam os 70 mil hectares de soja plantada pelo grupo. Até 96, Sapezal, na Chapada dos Parecis, era uma unidade de armazenagem da Sementes Maggi. Hoje, é um município que ocupa 184 mil hectares de terra, uma área maior que a Holanda.
Essa é outra façanha de André Maggi, fundador e primeiro prefeito do município. Sapezal nasceu próspera. A cidade conta com uma privilegiada estrutura de água, luz e calçamento e vem atraindo novos investimentos na região. É a ‘‘menina dos olhos’’ do Rei da Soja, resultado de ousadia e dedicação, palavras constantes em seu vocabulário.
Foi por meio desse binômio que os negócios se expandiram. A Sementes Maggi Ltda é a empresa líder do grupo e tem participação expressiva no agribusiness nacional. Voltado a um mercado mais competitivo para seus produtos e com grandes metas para o futuro, o Grupo André Maggi desenvolveu o Projeto Hermasa.
Operando um complexo sistema que integra o transporte multimodal (rodoviário, fluvial e marítimo) o projeto mantém dois terminais em funcionamento na Hidrovia Madeira-Amazonas, assegurando o transporte de grãos e insumos agrícolas. A Agropecuária Maggi é a empresa responsável pela pesquisa, produção de grãos, pecuária de corte e suinocultura.
Nas regiões sul e noroeste do Mato Grosso, o grupo cultiva aproximadamente 50 mil hectares de soja, produzindo também algodão, milho, sorgo e milheto. Em função das atividades agropecuárias, foi criada a Cidezal Agrícola Ltda. Seu objetivo é planejar a infra-estrutura urbana, ordenar o crescimento socioeconômico e promover melhorias na qualidade de vida dos trabalhadores e moradores de reservas indígenas mais próximas.
Completam o pool a Amaggi Construções e a Fasa - Fornecedora de Autopeças Ltda. Um império que não tem limites de expansão. Para ir mais além, André Maggi conta com a ajuda do filho Blairo, vice-presidente do grupo e também suplente de senador pelo Mato Grosso.
O tempo que o patriarca dispensa ao lazer é ocupado ao lado da família. Casado há 44 anos com Lúcia, de 65 anos, com quem teve um filho e quatro filhas, o empresário mantém uma residência fixa em São Miguel do Iguaçu, onde passa a maior parte do tempo.
A energia para o trabalho é recarregada com viagens. Um recente tour pela Europa, em companhia da mulher e das filhas, foi o suficiente para retomar o fôlego.
Constantemente questionado sobre o título de Rei da Soja, André Maggi se limita a dizer que não tem vaidade suficiente para usá-lo. ‘‘Não faz diferença’’, diz, com a certeza de quem sabe que um reinado não se faz apenas com um título.
Vizinho de Olacyr de Moraes em uma de suas fazendas no Mato Grosso, a proximidade entre os dois desperta ainda mais curiosidade. Que conselho, por exemplo, ele daria ao ex-Rei da Soja, que atualmente tenta recuperar seu status? A resposta vem em tom de avaliação: ‘‘Olacyr é muito desorganizado.’’

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