A arte sempre esteve no caminho de Flavio Dolberth. Influência do pai, que tinha na pintura seu passatempo preferido. Foi por meio desse contato que Flavio deu início a uma trajetória de sucesso. Formado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba, Flavio Dolberth preside hoje uma das entidades mais atuantes na área cultural da região Oeste do Estado, a Associação dos Artistas Plásticos Visuais de Toledo (Avisto).
Em constante processo de criação, é também um artista que se destaca por seus trabalhos. Flavio cria obras que falam da busca constante do homem e do encontro com diversos caminhos. Num de seus trabalhos preferidos, um Cristo crucificado, Flavio mostra uma maneira diferente de representar esse momento e o associa a essa busca. ‘‘Eu procurei pegar o momento da dor, o porquê de Cristo estar ali e, como consequência, mostrar o homem tentando buscar definições sobre a vida’’.
Flavio mantém um ritmo incansável de trabalho. No final de semana, encerrou uma individual no Teatro Municipal de Toledo. A mostra, batizada de ‘‘Caminhos’’, reúne obras produzidas nos tempos de faculdade a trabalhos atuais. Agora, ele se prepara para enfrentar um circuito que inclui Curitiba, Toledo e Cascavel. A essa jornada soma-se o trabalho à frente da Avisto. Flavio ressalta a qualidade dos artistas do interior, que faz questão de afirmar, estão no mesmo patamar dos da capital.
O grande desafio de Flavio é abrir espaço para que esses artistas conquistem mais espaço no Estado. Para isso, vem mantendo um constante intercâmbio entre os artistas da região e de Curitiba. Em março, nove representantes de Toledo participaram da exposição ‘‘Em Busca da Paz’’, em Curitiba, que contou com a obras de artistas de vários Estados.
No ano passado, um grupo de 10 artistas esteve na cidade para conhecer a produção local. Esse contato mostra que a cultura do interior não está tão distante da capital. ‘‘Toledo ainda é uma ilha, a questão cultural começa a aflorar. A visão de quem mora é a mesma de quem está em nos grandes centros. O público pode ainda não ter a mesma bagagem cultural, mas ele busca e isso é importante’’, analisa.
O primeiro ano de Flavio na presidência da Avisto teve como principal meta divulgar o trabalho da entidade por meio da participação em exposições. Para este ano a proposta é participar de menos eventos e intercambiar profissionais numa constante troca de idéias. A presidente da Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná, Wautraud Sekula, é o primeiro nome de uma lista já agendada para realizar oficinas de arte em Toledo.
Mesmo com os olhos voltados para o desempenho da Avisto, Flavio não descuida da carreira individual. ‘‘A gente sempre consegue tirar tempo para criar, o pouco tempo que me sobra eu procuro me dedicar intensamente’’, diz Flavio, que é também professor de História da Arte.

mockup