Claudia Fialho mora num apartamento com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões-postais do Rio de Janeiro. Além disso trabalha no ''dispensa comentários'' Copacabana Palace, onde é diretora de relações- públicas. Ainda assim, não esquece as raízes e faz questão de manter um apartamento em Londrina para furtivas escapadas da Cidade Maravilhosa.
Nascida em Belo Horizonte, apenas para vir ao mundo perto dos avós, Claudia se considera uma londrinense. Por aqui cresceu, estudou, formou amizades que seguem firmes até hoje, casou e teve uma das filhas (a outra nasceu no Rio). É daqui que fala com carinho e boas memórias enquanto passeia pelo hotel e vai cumprimentando todos com a simpatia que lhe é característica.
Claro que até chegar ao escritório no badalado hotel considerado pela conceituada revista Travel & Leisure como um dos melhores do mundo, na edição de janeiro , muitas coisas aconteceram. Histórias, emoções e um amor tão grande que a fez deixar a cidade que tanto gostava, a família, o trabalho. Por conta da paixão com o médico Guilherme Sampaio Ferraz, Claudia se mudou para o Rio de Janeiro para começar tudo outra vez. Um novo casamento, uma nova carreira.
Apesar de o marido ser uma pessoa conhecida, ela preferiu usar o nome de solteira para voltar à ativa, depois de um ano se reorganizando na nova cidade. ''Sabia que o meu sucesso dependeria de mim mesmo. E eu tinha confiança no meu potencial, na minha formação'', lembra. ''Quando cheguei era uma ilustre desconhecida. Hoje conheço um monte de gente'', completa.
Ainda no colegial, a londrinense não pensava em outra coisa que não fosse seguir a carreira médica, como os pais. ''Meu pai achava que eu estava muito influenciada por eles e me fez viajar para a Europa. Se depois da viagem eu ainda quisesse cursar medicina, tudo bem'', conta. Depois de seis meses na Itália e cerca de um ano longe do Brasil, Claudia voltou do berço da civilização ocidental com outras aspirações. ''Estava fascinada com a história'', explica. Não deu outra, ela fez o curso de história e ainda complementou a formação com as aulas de comunicação social, diploma que acabou lhe rendendo experiência jornalística.
Além de dar aulas, Claudia Fialho também foi colunista do extinto jornal Panorama. ''Pessoas talentosas se mudaram para Londrina, fugindo da ditadura dos grandes centros'', revela. A formação em comunicação e em história também foram essenciais para a colaboração que ela prestou para o jornalista Ricardo Boechat, autor do livro comemorativo aos 80 anos do Copacabana Palace.
Este ano, Claudia completa 15 anos no quadro de funcionários do hotel. Uma das atribuições do cargo é organizar os concorridos bailes black-tie, que desde o Carnaval de 1924 têm servido de ponto de encontro de estrelas das mais variadas galáxias. Tanto hollywoodianas como Jane Mansfield, Romy Schneider, Errol Flyn, como tupiniquins nascidos em berço esplêndido. E, é claro, também turistas, que vêem no Copa um marco na cidade. ''Gilberto Amaral (colunista brasiliense) costuma dizer que não vem ao Rio de Janeiro, vem ao Copa'', conta.
Antes de trabalhar no Copacabana Palace, Claudia passou por outros hotéis no Rio. O primeiro emprego foi conquistado depois de responder a um anúncio do Caesar Park para trabalhar no setor de banquetes. Quando se apresentou para a entrevista, a boa impressão que causou a fez ser convidada para trabalhar na área de relações-públicas. Ela só abandonou o setor quando resolveu montar uma empresa ligada à moda, que foi pioneira na organização de um calendário fashion no Rio.
Em parceria com estilistas como Georges Henri, Gregório Faganello, Andrea Saletto, Claudia organizava os lançamentos das coleções e ainda unia moda e turismo. ''Trazia jornalistas de São Paulo, como Gloria Kalil, Costanza Pascolato e Lilian Pacce, que estava começando, para visitar os show-rooms dos estilistas'', conta. A empresa fechou, mas a cidade acabou conquistando com o Fashion Rio o seu calendário oficial. A herança de Claudia também pode ser vista nas páginas no Jornal do Brasil, onde a filha mais velha, Adriana Bechara, (nascida em Londrina) é editora de moda. ''Ela me acompanhava em algumas visitas'', lembra Claudia.

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