Desde que ingressou no curso de música da Universidade Estadual de Londrina, em 2000, Otávio Luis Silva Santos já sabia que queria fazer trilha sonora para cinema. Com o diploma na mão, foi parar, no início de 2010, no topo de quem sonha trabalhar nesse meio: estudou um ano na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles, na sigla em inglês). Hoje compõe a trilha de um filme independente norte-americano, com estreia prevista para abril.
Para quem visa o cinema, não há no mundo universidade mais requisitada. Na UCLA lecionaram professores laureados com o prêmio Nobel, como Paul Boyer e Bertrand Russel. Jim Morrison, do The Doors, e John Williams, compositor das trilhas dos filmes de Steven Spilberg, também foram alunos.
''No curso tive contato com grandes profissionais, muitos que estão atuando em grandes filmes que estreiam no Brasil. É uma faculdade muito tradicional nos Estados Unidos e respeitada em todo mundo'', conta.
A carência de bons cursos nessa área no Brasil foi o fator decisivo para que Otávio investisse na ideia de voar e fixar residência no exterior. Entrar para o time de quase cem alunos que a instituição forma por ano não foi um desafio muito grande para o dedicado e inteligente londrinense.
''O mais difícil mesmo é o custo, que no final sai em torno de US$ 30 mil. Para entrar existe uma pré-seleção, mas como eu já tinha o diploma de cinema, facilitou muito. Eles exigem inglês fluente, o que não foi difícil para mim'', explicou.
Uma vez lá dentro, Otávio conquistou a bolsa de estudos oferecida a único aluno pela BMI, empresa que representa artistas como Elton John, Michael Jackson, Lady Gaga, Rihanna, Nirvana etc.. Para o processo seletivo, fez uma carta de apresentação caprichadíssima onde explicava todos os porquês possíveis pelo qual queria a concorrida bolsa e, junto, arrebanhou todo seu conhecimento criando uma trilha sonora.
''Ganhar foi uma alegria e tanto não só pelo fato de pagarem metade do curso, mas também pelo reconhecimento em si e a projeção que isso dá para minha carreira. Concorri com pessoas de todo mundo'', vibra.
Já felicíssimo da vida e ainda em Los Angeles, a perspicácia do jovem de 27 anos refletiu em outros dois grandes momentos-chave: o primeiro foi um estágio ao lado do compositor canadense Trenor Morris, que trabalhou em ''Piratas do Caribe'' e ganhou Grammy pelo tema de abertura da série de TV norte-americana, The Tudors. O segundo é que Ótavio está criando a trilha sonora do longa ''Biology 101'', do diretor norte-americano Christopher Smith, uma produção independente com previsão de estreia para abril deste ano.
''Trabalhar com Morris foi uma experiência maravilhosa. Tive uma ideia de como funciona o fluxo de trabalho de um compositor de Hollywood. O trabalho com o Smith comecei ainda lá em Los Angeles. Daqui de Londrina estou trabalhando em cima da trilha e mantendo contato diário com ele'', explica.
De volta à cidade natal e enfurnado cerca de 12 horas por dia dentro de seu estúdio, Otávio transita por dimensões inatingíveis para muitos. Toca com precisão violão e guitarra, cria canções capazes de ganhar a confiança de grandes titãs do cinema e, para completar, era, nos primórdios, professor de música disputado.
Agora, sob a batuta de grande conhecedor de tudo que envolve a produção de uma trilha sonora, sobram planos. ''De volta à minha cidade, quero aproveitar essa formação que poucas pessoas têm e também que o cinema brasileiro está dando uma engrenada muito grande. Meu objetivo é trabalhar com cinema local. Londrina tem muitas produções em curta metragem e muitos filmes premiados em festivais como o de Gramado e Petrópolis. Temos ótimos diretores como o Rodrigo Grota. Minha ideia é trazer esse conhecimento para cá. Acredito que esse meu diferencial vai ser muito eficaz aqui.''

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