'Patinhos feios' escondem futuro promissor
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sábado, 09 de agosto de 2008
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Você já pensou em prestar vestibular para Biblioteconomia? Letras? Geografia? A julgar pela concorrência relativamente baixa desses cursos no último vestibular da UEL, é provável que muitos leitores respondam ''não''. E que alguns admitam que cogitaram a hipótese, mas a descartaram porque os cursos citados ''não dão futuro''. Será?
O próprio mercado de trabalho se encarrega de desmistificar a idéia que grande parte da população faz de algumas carreiras. É o caso do bibliotecário, cuja inserção profissional pode ser bem mais rápida do que a de cursos com mais status. ''Qualquer estrutura que funcione como intermediária entre quem produz e quem usa a informação tem lugar para o bibliotecário'', diz a coordenadora do curso na UEL, Ivone Guerreiro Di Chiara.
Apaixonada pelo ofício, a docente diz que o campo de atuação vai bem além da rede de ensino e inclui editoras, livrarias, centros culturais, escritórios jurídicos, empresas e até fábricas, com remuneração a partir de R$ 1,6 mil. Em áreas industriais do interior de São Paulo, segundo a coordenadora, a profissão é uma das que apresentam maior empregabilidade - não por acaso, o curso ficou à frente de opções como Computação, Odontologia e Enfermagem na proporção de candidatos/vaga do vestibular 2008 da Fuvest.
Em Londrina, o curso foi um dos menos concorridos no último vestibular (2,6 candidatos/vaga na concorrência universal). Para Ivone, a explicação para o preconceito pode estar na imagem que os estudantes fazem da carreira ainda no ensino básico. ''Na maioria das escolas, principalmente as públicas, quem exerce a função é um auxiliar administrativo ou um professor que por algum motivo não pode estar na sala de aula. É com essa pessoa, descapacitada e muitas vezes infeliz, que o aluno forma a idéia do bibliotecário'', analisa.
Mas, de acordo com a coordenadora, nem as bibliotecas são mais as mesmas. ''Esse modelo antigo - um lugar escuro e empoeirado - não é o único. Hoje existem muitas bibliotecas digitais e, aliás, a tecnologia tornou-se nosso instrumento de trabalho.''


