Paris se veste para o frio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de julho de 2001
Dominique Ageorges France Presse 
As belas de Emanuel Ungaro passarão o inverno 2001/2002 vestidas de princesas mouras, com elegantes capas que cobrem vestidos de seda bordada, enquanto Scherrer as imagina como ciganas que lêem a sorte, e Oscar de la Renta busca inspiração na Espanha.
No terceiro dia dos desfiles de alta costura para o próximo inverno, segunda-feira, em Paris, Emanuel Ungaro converteu sua passarela em uma ponte entre Paris e Marraquech: de dia, no lado europeu, calças de couro de cores cálidas pintadas a mão são combinadas com jaquetas de padrão escocês. Do outro lado, a magia oriental transforma a mulher em princesa moura, protegida com largos abrigos de lã ou elegantes capas que cobrem os vestidos de seda ou as saias de encaixe e museline marfim e ouro acompanhadas por um pequeno bolero.
Plumas e flores invadem os pescoços e os ombros dos longos vestidos de cetim até ocultar o rosto. À noite, o tafetá de seda em quadros brancos ou negros ou listrado é majestoso.
Stéphane Rolland, para Scherrer, veste a mulher cigana: uma maga que exibe um maxiabrigo de tapeçaria de vison e raposa multicolorida sobre um minvestido-pulôver, ou a cigana que usa uma camisola cortada em faixas de pele de cordeiro aveludada, com uma saia-calça de seda estampada.
O modista adora os contrastes. O superlongo é combinado com o supermini, a silhueta longilínea com a arredondada.
Oscar de la Renta escolheu passar o inverno na Espanha e na Rússia. A pele de marta enfeita os grandes abrigos em tons castanho dourado ou o terninho com um saia longa em damasco dourado. Os gorros e protetores de mão de raposa negra se combinam com os bordados de um abrigo de lã turquesa.
Mas, no conjunto, é a inspiração espanhola que predomina, com volantes que escapam dos terninhos de tweed ou uma sobrecasaca negra, e invadem os vestidos de noite ou as saias contrastadas com um corpete bordado com miçangas nacaradas. A noiva, vestida de vermelho e negro, usa um clássico xale.
Ji Haye, a modista coreana, tem a alma de viajante e olha para horizontes diversos, com grandes abrigos de shantung com motivos sobrepostos, que cobrem um longo vestido de organza.
Ji espera que o inverno seja muito frio e até os longos vestidos de shantung de seda rosa nacarada possuem grossos forros que lhe dão um aspecto acolchoado. As mulheres que quiserem exibir um corpo de sereia optarão pelo vestido de seda plisada cor caramelo ou o longo vestido de mohair cinza e seda dourada.
Finalmente, o toque de genial loucura do dia deveu-se aos irmãos armênios Guevork e Vartan Tarloyan. Com um fundo musical de Mozart e de Mahler e com o amor impossível e o sacrifício como temas, os dois estilistas fizeram uma festa de talento.
Os tecidos são magníficos nos largos vestidos-mirinaque, nos levíssimos vestidos de tule brilhante, no espartilho de veludo negro e púrpura que cobre um body negro. Uma longa capa de veludo com motivos de cashemira e de pele de raposa se alterna com um terno-short de lã vermelha ou uma camisa de museline branca.


