Para onde essa gente vai?
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de outubro de 2006
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Paris- Foram algumas semanas de muita moda nos jornais, e daqui para frente todas as revistas do mundo só vão falar nisso. O desfile de Chanel, Dior, Alexander McQuenn, Cacharel, Lanvin, Miu Miu... e suas particularidades. Verdadeiros circos montados para lançar ao mundo novas idéias de desejos que agucem o mercado de compradoras do alto luxo.
Para isso, nessas apresentações de prêt-à-porter entram, em um primeiro plano de ataque. as celebridades . As mais mais sociáveis e famosas como Vitória Beckman, ou gente que anda esquecida - como Janet Jackson, que é capa da revista W deste mês e foi figurinha fácil em vários desfiles, e quer sair do ostracismo que atingiu sua família - entram em cena vestidas com a roupa da grife que vai desfilar. Pronto! Pipocam flashes e gritos vindos de uma verdadeira batalha entre os fotógrafos de inúmeras línguas. Isso é um mundo à parte. Os shows querem mais. Querem garantir que o investimento milionário vai permanecer na mídia pelo menos por quatro meses, quando começa tudo novamente (até antes, porque a alta-costura está marcada para 22 de Janeiro de 2007).
Bem, e se isso garante uma mídia espontânea, as grifes estão enfrentando uma certa ressaca. Há muita revisitação do passado e comercialmente os criadores começam a se repetir ou ficar sem graça... Até Marc Jacobs, estilista nova-iorquino que é diretor-artístico da Louis Vuitton, enfrenta as alfinetadas da imprensa especializada ao ser acusado de ter sido um tanto démodé em sua apresentação, domingo passado aqui em Paris. Mas as bolsas... Essas que habitam o imaginário feminino de todas as consumistas estas estão cada vez mais modernas e perfeitas... Voilà
Todos cansam. Mas aqueles que não conseguem se renovar dentro do próprio marasmo de seu processo criativo, como o estilista Alexander Mc Queen - que repete a fórmula de dramatizar suas coleções com roupas teatrais, remetendo a um passado distante vindo de um quadro do pintor espanhol Goya, a trajes que marquesas famosas usavam, entre outros, mas promove a cada estação um aperfeiçoamento - acabam sendo alvo de críticas fortes e apertões. No caso de McQueen, ele pode estar caminhando numa mesma direção, mas faz cada vez melhor.
Já John Galliano, que navega nas mesmas águas turbulentas de visitar criaturas estranhas em suas apresentações recebeu ordens explícitas de Bernard Arnault, presidente do grupo LVMH, que detém a Dior, para segurar a mão. A Dior quer tailleurs. Quer atingir o mercado emergente do Oriente e quer entrar na disputa com a Chanel na venda destas peças. Por isso, quem viu as imagens de comportadas modelos vestidas em trajes muito sérios ou vestidos simples, sem exageros de maquiagem, uma marca dos desfiles de Galliano, já tem a explicação. A ordem é aproveitar o mercado comprador emergente. E esse mercado é careta. Usa tailleurs. Na visão empresarial, obviamente, porque a gente gosta mesmo é de assistir os espetáculo de Galliano. Ele em sua coleção homônima também segurou a mão abrindo com uma série de tailleurs brancos e depois, claro, deu uma pirada com suas criaturas já conhecidas...
E falando em Chanel... impossível não citar sempre e mais Karl Lagerfeld. Realmente ele fez uma coleção impecável para Fendi, para si próprio e para a Chanel deu mais uma prova de que se pode ir em frente sem perder a característica de uma marca.
A apresentação que lotou o Grand Palais, um dos grandes monumentos de Paris, teve de tudo. Na chegada, todos os convidados ganhavam uma sacola cheia de produtos Chanel para a beleza dos olhos... Sem economia. Na platéia, Victoria Beckman fazendo o maior fuzuê entre os paparazzi. E na passarela uma fresca e renovada coleção dentro dos parâmetros da grife. Preto, branco, curtos, paetês, óculos arredondados (serão eles a substituir a febre de ray-bans?) e a presença de homens... A marca vai lançar uma linha homem??? Não. A Chanel quer mostrar que os homens também podem usar sua roupa. Seus casacos, suas calças, enfim esta já é a terceira ou quarta vez que Lagerfeld mostra isso, contou à Folha de Londrina, logo após a apresentação, a vice-presidente de relações externas com a América Latina, Liliane Mercer. Será que esse é um desejo atual?? Pode ser, pois se fala muito nessa bipolaridade entre os sexos. Guarda-roupa compartilhado.
E para finalizar, não dá para não falar no trabalho do brasileiro Clements Ribeiro na Cacharel. A tradicional grife francesa mostrou um certo conservadorismo nas roupas, refrescando a coleção com vestidos soltinhos e curtos, com shorts de cintura alta. Bem clássica. Não é nada de se espantar. Afinal, moda é indústria, tem que vender, pagar seus empregados e parece que o momento não é para brincadeiras, afinal, os desejos são passageiros, o clássico sempre fica e o dinheiro pode mudar de mão a qualquer momento. Como sempre, aí começa tudo de novo: novos desejos e uma corrida para descobrir quem vai acertar primeiro.
Quem mais NÃO ousou???
- A grife Lanvin foi outra que não inventou muita moda. Apostou em looks curtos, mas com toques e cores clássicas. Trench-coats de vinil, vestidos de duas cores preto e azul e conjuntos de saia e blusa cáqui com a cintura marcada...
- A Miu Miu, segunda grife de Miuccia Prada, também não inventou muito... Vestidos de duas cores curtos e com recortes geométricos e alcinhas finas, ou ainda estampados mais compridos. Miuccia pensou no construtivismo russo. Tá vendo o mercado??? Os russsos, assim como os chineses e os indianos, já chegaram com suas carteiras recheadas de euros e dólares e estão alvoroçando o processo de criação....
Por que o cinza?
- A cor esta presente nas coleções justamente por causa dos indianossss.


