Paixão verde
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de maio de 2002
Karla Matida Reportagem Local 
A paixão de Renato Zonzini Bocabello pelos bonsais faz cair por terra o mito de que as tais mini-árvores são coisa só de orientais. De família 100% italiana, Renato teve os primeiros contatos com a cultura japonesa ainda na infância, quando entrou para o judô, aulas nas quais não só aprendeu os golpes, mas também um pouco da filosofia oriental.
Mas foi só no colegial que conheceu o bonsai quando um professor de literatura emprestou a ele um livro sobre o assunto de autoria de um expert inglês. Nas voltas que o mundo dá, em janeiro deste ano, Renato esteve na Inglaterra, onde trabalhou por 40 dias como assistente-convidado de Harry Tomlinson o tal do livro.
No ano passado participei de um workshop dele aqui no Brasil, ele gostou do meu trabalho e me convidou para ser seu assistente em Nottingham, conta Renato, mais do que feliz com a oportunidade de ter trabalhado ao lado do responsável pela difusão do bonsai na Europa, no final da Segunda Guerra.
Estudante de veterinária da UEL, Renato se divide entre Londrina e São Paulo, para onde vai todo final de semana. É lá que estão a família, a namorada e, é claro, seus bonsais. Lá em São Paulo meus pais cuidam, já aprenderam como regar, explica Renato, que até tentou trazer alguns exemplares para cá. Mas aqui eles não tinham atenção total, por conta do meu curso em tempo integral. Quando dá vontade, pode usar as ferramentas e as plantas do amigo Takeshima-san.
Desde que se mudou para Londrina, Renato tem frequentado as reuniões da Associção de Bonsais da cidade. No começo ele se sentia e era mesmo um estranho no ninho. Era o único jovem, alto e não-japonês da sala, lembra.
O Brasil ainda é muito fraco em bonsai, já é mais difundido na Europa, mas o centro de tudo ainda é o Japão, conta Renato, que sonha em conhecer a terra do Sol Nascente para ver de perto o que tem visto nas revistas e livros.
Paciência oriental? A gente precisa de paciência para saber esperar para ver daqui dois anos o que faz hoje, ensina. E para daqui alguns anos, Renato ainda se vê dividindo o tempo entre a veterinária e os bonsais. Gosto mesmo é de trabalhar com vida.


