Paixão pela música
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sábado, 13 de setembro de 2014
Karla Matida<br> Reportagem Local 
De uma forma toda própria, a violinista londrinense Thais Ohara seguiu os passos do avô Haruo. Assim como ele, ela também deixou seu país natal e conquistou reconhecimento artístico em outras terras. A diferença é que Thais pode viver profissionalmente da arte, enquanto o avô tinha a fotografia como um hobby.
Imigrante japonês e lavrador por profissão, Haruo Ohara criou a família com o trabalho rural, mas nas horas vagas fotografou intensamente, deixando uma rica herança de imagens.
Dos pais, Thais herdou o gosto pela música e o incentivo para seguir carreira. "Graças a eles, sempre apoiando, incentivando e se sacrificando, pude realizar o sonho de trabalhar profissionalmente na arte da música", explica Thais. Radicada na Suíça desde julho de 1990, ela formou a própria família por lá, onde coleciona prêmios e reconhecimento.
"Quando era criança, cantava no coral infantil Piás da UEL, onde também tinha aulas de iniciação à flauta doce. Depois comecei piano e violino e entrei para a Orquestra", conta Thais. "Em 1989, fui convidada a participar do Grupo de Música Antiga Arabesco."
"A música antiga me fascinava. Fazíamos concertos com roupas da época e tentávamos reproduzir um pouco o estilo do repertório, meio no improviso, misturando instrumentos modernos com os de época", lembra a violinista. Com a ajuda da gambista curitibana Eunice Brandão, surgiu a oportunidade do grupo estudar na Suíça. "Fomos aceitos na Schola Cantorum Basiliensis, uma das mais respeitadas escolas de música antiga do mundo", explica Thais.
Na Basileia, o grupo teve aulas com professores especializados, participou de concertos e conheceu músicos de vários países. Mas durante o curso, o Arabesco acabou se desfazendo. Só que Thais se uniu a outros dois integrantes o irmão Marcelo e Rogério Gonçalves para fundar com um alaudista japonês e uma cantora suíça o grupo Continens Paradisi.
"Fizemos inúmeros concertos na Europa e gravamos quatro CDs, sendo que o terceiro Le Champion de Dames ganhou o prêmio 10 Répertoire, da revista francesa Répertoire. O quarto CD Mil sospiros Dio Maria ganhou o The Best recording of vocal renaissance music of 2007", lista Thais.
"Um ponto crucial na minha trajetória musical foi o apoio que tive dos meus pais. A música fazia parte do nosso cotidiano, minha mãe participava do coral da UEL e meu pai e meu irmão Marcelo integravam também a Orquestra, como violinistas. Nos finais de semana tocávamos em casamentos. Meu irmão Saulo também participou do coral infantil e teve aulas de violino e violão, mas rumou a uma outra arte, seguindo os passos do meu avô Haruo Ohara e se transformando num talentoso fotógrafo", relata Thais.
Ao terminar o curso na Basileia, a violinista se mudou para Genebra para estudar no Conservatoire Superieur, onde obteve o diploma de violino barroco e viela. "Desde 1997 sou professora na escola de música da cidade de Niedergösgen e em 2012 comecei a dar aulas também na escola de música Oberes Seetal."
"Decidi ficar na Suíça, primeiramente porque aqui tínhamos mercado de trabalho. Na Europa existem vários festivais de música antiga e também muitos grupos com os quais podemos tocar. Também como professora de música acredito que seja mais fácil do que no Brasil. Aqui, a maioria das escolas de ensino fundamental e médio oferece aulas de instrumentos musicais aos seus alunos."
Além dos quatro CDs com o Continens Paradisi, Thais gravou também dois com o grupo italiano Lucidarium, três com o Syntagma, da França, e um com a orquestra suíça A Corte Musical. "Concertos e gravações são algo fascinante, mas demandam tempo e energia. Depois do nascimento do meu filho Miguel, de nove anos, optei por um cotidiano mais regular e calmo, para poder acompanhar o crescimento dele. Viver de concertos é difícil, a gente fica sempre ausente, viajando. Por isso atualmente dou mais prioridade aos meus alunos, um trabalho que me completa e é muito gratificante."


