Simone Mattos
De Curitiba
Nunca as passarelas de moda estiveram tão próximas da realidade do consumidor. Apesar de ousadas, as tendências do Inverno 2000 – que resgatam a natureza em todas as suas formas – foram bem-aceitas pelo público e já estão saindo das vitrines para ganhar lugar nos pés, mãos e corpos que passeiam pelos shoppings.
São botas que imitam pêlo de vaca, bolsas com estampas de onça, calças de couro de cobra e jaquetas impregnadas com barro. Difícil de usar? Nem tanto. Lojistas e consumidores garantem que, apesar de ousadas, as peças são superviáveis.
‘‘No ano passado eu já tinha uma sandália de onça e uma mule de zebra. Para mim, isso tudo nem é novidade’’, conta Lucélia Kososki, 40 anos. Casada e mãe de dois filhos, ela admite que sempre gostou de ousar no visual. ‘‘Se estiver com vontade, uso uma sandália de strass de manhã e qualquer tipo de brilho durante o dia.’’
A próxima peça que deverá integrar o seu guarda-roupas é a jaqueta impregnada com argila e barro, da Ellus, que custa R$ 349,00. ‘‘Fiquei doida para comprá-la’’, diz ela. Em sua opinião, não há nenhuma dificuldade em usar essas roupas. ‘‘O importante é apenas que a pessoa se sinta bem’’, conclui.
A dona de casa Elvira Dallegrave Marchesini, 60 anos, concorda. Ela adora a moda que está nas vitrines e não faz rodeios para dizer que paga qualquer preço para estar bem vestida. Quanto a tendência das peças de pele animal, ela aprova e consome, desde que sejam legítimas. Sua mais nova aquisição deverá ser uma bota de lezar, que está na vitrine da Celeiro Calçados do Shopping Crystal Plaza, por R$ 458,00. ‘‘Só não comprei ainda porque calço 33 e não consegui encontrar o meu número’’, justifica.
Na sofisticada Max Vera, ela se diverte experimentando um casaco com pele de castor e uma jaqueta de pele de cabra tibetana. Sem conseguir resistir à tentação, ela conta que na mesma loja já fez a ‘‘loucura’’ de pagar R$ 2.500,00 por um vestido, só porque o adorou à primeira vista.
Sua mais recente extravagância fashion foi a aquisição de uma calça de couro de cobra, que ainda não teve coragem de usar. ‘‘Comprei porque achei linda e o meu marido também adorou, tanto que brincou dizendo que só poderei usá-la quando sair com ele’’, diz.
Apesar de ser uma consumidora assumida, ela não se considera perua. ‘‘Apenas gosto de me arrumar’’, define. Para garantir a elegância, sem passar perto do estilo perua, Elvira dá algumas dicas: ‘‘Nunca se usa brincos grandes e colar ao mesmo tempo, assim como vestido bordado e colar também não combinam’’, ensina.
Outro conselho, para não pecar por excesso, é da gerente da Celeiro Calçados do Shopping Crystal Plaza, Jussara Tourinho. Ela comenta que misturar peças clássicas com lançamentos fashion é a melhor forma de não errar. ‘‘Perua é aquela que exagera’’, define. Em sua opinião, uma roupa toda preta com uma bota de couro de cobra, por exemplo, é perfeito.Apesar de ‘perigosa’, a moda para este inverno foi aprovada pelo público. Saiu direto das vitrines para os guarda-roupas e ganhou as ruas
Márcio ScatrutElvira Dallegrave Marchesini: mais recente objeto de desejo é uma bota em lezar, de R$ 458,00Márcio ScatrutLucélia Kososki: de olho numa jaqueta impregnada com argila e barro, que custa R$ 349,00

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