Os Gracie do caratê

De família referência nesta arte marcial, Marcelo Oguido constrói carreira na seleção e na revelação de talentos para o esporte brasileiro

Luicio Flávio Cruz - Grupo Folha
Luicio Flávio Cruz - Grupo Folha


Marcelo Oguido, 48: "Tudo o que eu faço na minha vida profissional, particular são os ensinamentos que eu tive dentro do tatame: caráter e respeito"
Marcelo Oguido, 48: "Tudo o que eu faço na minha vida profissional, particular são os ensinamentos que eu tive dentro do tatame: caráter e respeito" | Marcos Zanutto
 


Desde o seu início, Londrina sempre foi uma cidade com uma veia esportiva muito grande. Por aqui, surgiram inúmeros atletas e treinadores das mais variadas modalidades, que brilharam no Brasil e no exterior. Quis o destino e as circunstâncias da vida que Marcelo Oguido se encontra-se com Londrina e aqui fosse acolhido pela família que é referência no caratê brasileiro.


Hoje técnico da seleção brasileira, Marcelo Oguido nasceu no Rio de Janeiro, mas veio para Londrina aos 6 anos, ao lado de outros três irmãos, quando a mãe se separou e retornou ao Norte do Paraná para ficar perto da família.




Maria de Lourdes Gonçalves Oguido começou a praticar caratê com o sansei Frank Oguido, que tempos depois se tornaria seu marido. “Minha mãe era aluna do Oguido e depois eles se casaram. Ele foi meu pai de criação a vida inteira e meu nome é Oguido por conta disso. Foi minha mãe quem levou os filhos para o tatame. Comecei com 6 anos e segui os caminhos do sansei”, revela Marcelo, 48.


A família Oguido é tradicionalmente ligada às artes marciais e uma referência na prática e no treinamento do caratê em Londrina. O avô de Frank Oguido foi samurai no Japão e o pai, graduado em judô. Frank Oguido continua na ativa e repassando os ensinamentos às gerações mais novas.


“Quando montamos a OFF academia queríamos uma academia boa, mas não podia fugir do nome da família, que é muito forte. E o caratê é o carro-chefe, porque é o nome da família. As pessoas diziam que éramos os Gracie do caratê em Londrina”, relembra.

Fã de futebol também, a mudança para o Paraná fez Marcelo dividir a sua paixão. “Sou torcedor do Fluminense, por influência do meu pai. Mas como eu abracei Londrina e Londrina me abraçou e a minha vida é aqui, hoje torço muito mais para o Londrina não perder do que para o Fluminense. Sou londrinense de coração”, confessa o técnico.


O salto de atleta para treinador se deu muito cedo, logo aos 18 anos, quando Frank Oguido se mudou para o Japão e deixou para o jovem sucessor a missão de ensinar. “Ele tinha muitos alunos, turmas cheias em todos os horários. Quando eu comecei a dar aula, o número de alunos foi lá para baixo, tinha turma que não tinha mais ninguém. Até então era atleta e tive que aprender a ser técnico. Foram uns dois anos até pegar o jeito”, garante.


SONHO

A vontade de continuar competindo fez com que Marcelo se divide-se durante um tempo entre atleta e treinador, mas até em virtude do tempo escasso para treinar, os resultados já não eram mais os mesmos. A decisão de investir somente na carreira de técnico veio junto com a percepção que a modalidade passaria por uma transformação. “O caratê passou por uma mudança muito grande, saindo do marcial, do tradicional para o esportivo. Eu tinha um sonho que o caratê se tornaria olímpico, o que hoje é uma realidade. E eu fico feliz com as escolhas e não me arrependo de nada, nem do que eu perdi como atleta."


Casado com Patrícia Caram e pai da Giovana, 5, Marcelo Oguido chegou à seleção brasileira pela primeira vez em 2016 e, de lá para cá, tem participado de todas as principais competições internacionais. Nos últimos anos deixou a administração da academia para se dedicar exclusivamente ao trabalho dentro do tatame e para estar mais perto e cuidar da filha, diagnosticada com diabetes infantil. “Acreditava que poderia ser convocado e não conseguiria estar no dia a dia da academia. E gostaria de ter um pouco mais de tranquilidade para acompanhar minha filha no tratamento, porque foi um baque para nós”, ressaltou.


Faltando menos de um ano para a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, edição que terá a participação do caratê pela primeira vez, Oguido está confiante e aposta no seu pupilo, o londrinense Vinícius Figueira, medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos, e um dos melhores do mundo na categoria até 67 quilos, como uma das esperanças brasileiras. “A estrutura hoje no Brasil é muito boa e podemos classificar até três lutadores para as Olimpíadas."


FILOSOFIA



Sério e concentrado no tatame, Marcelo Oguido é sempre sorridente e brincalhão quando está fora dele. Grato por tudo que o esporte tem lhe proporcionado, o treinador sabe que o caratê é muito mais que uma modalidade esportiva. “O caratê é a minha filosofia de vida. Tudo o que eu faço na minha vida profissional, particular são os ensinamentos que eu tive dentro do tatame: caráter e respeito. Tudo isso eu aprendi com o caratê e a minha família.” 


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