Se alguns cursos intimidam os candidatos pela oferta muito restrita - o de Medicina, por exemplo, só abre 40 vagas por ano no interior do Paraná - outros assustam, justamente, pelo excesso. Só o curso de Administração está presente em 23 universidades e faculdades, de acordo com o cadastro de instituições de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC).
Em segundo lugar entre os cursos mais numerosos vêm, empatados, Direito e Pedagogia, oferecidos em nada menos que 18 instituições da região. Surge a dúvida: há mercado para o grande contingente de egressos dessas faculdades? Coordenadores de cursos afirmam que as oportunidades existem, mas exigem talento e disponibilidade dos novos profissionais.
''O campo da Administração é vastíssimo e por isso mesmo existe um excessivo número de faculdades. Mas o próprio mercado filtra os profissionais, em cima de uma formação mais específica, uma pós-graduação, por exemplo'', diz o coordenador interino do curso na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Hamil Adum Filho. Vice-presidente de marketing da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad) o professor aponta a existência de 1,6 mil cursos de ADM em todo o País.
Segundo o coordenador, a Administração envolve várias áreas de conhecimento e abre possibilidades de emprego, por exemplo, na construção civil, dentro de grandes empreendimentos; na biotecnologia, que requer a administração de processos; na Informática, naBolsa de Valores e em qualquer setor que valorize a responsabilidade social e a gestão ambiental.
Formando a quarta turma de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, o diretor do curso, Luiz Alberto Pereira Ribeiro, afirma que a maioria dos egressos está trabalhando na área e que ''dificilmente'' o bom profissional fica sem emprego. Mas, para ampliar as chances no mercado, é interessante correr atrás de uma especialização e estar disposto a sair da cidade.
''Somente no campo da advocacia percebe-se uma certa saturação. Mas o profissional pode enveredar por muitas áreas, desde o magistério até concursos públicos para tribunais, Ministério Público. Aí, o mercado extrapola Londrina'', ressalta Ribeiro. De acordo com o docente, a formação dos profissionais de Direito ainda é mais generalista, mas a segmentação - voltada para a legislação ambiental, por exemplo - ''é a tendência do futuro''.
A docente Marta Regina Furlan de Oliveira, que coordena o curso de Pedagogia da Unifil - um dos mais antigos da região, criado em 1972 -, admite que a maioria das instituições de ensino superior possui o curso em sua grade, mas garante que o mercado não está saturado. ''Esta é uma área em que sempre sobram vagas. Muitos alunos começam a atuar já no primeiro ano, e quando se formam geralmente têm dois empregos. Você pode não ganhar muito, mas só fica sem trabalhar se quiser'', destaca.
Do ponto de vista da empregabilidade, Marta observa que o curso está bem mais atrativo do que era anos atrás. ''Havia a mentalidade de que a Pedagogia só formava professores. O campo se ampliou e hoje os profissionais atuam em empresas, na alfabetização de funcionários, por exemplo, e até em hospitais, desenvolvendo projetos lúdicos'', cita. Outra oportunidade é a assessoria pedagógica, voltada à capacitação de profissionais de outras áreas que querem dar aula, mas não têm noção de didática.

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