Curitiba - Em um ano onde a indústria da moda amarga índices negativos de vendas, há quem esteja sorrindo. Oskar Metsavaht é um deles. Dono da grife carioca Osklen, o médico, que deixou de lado as agruras cotidianas de quem lida com a saúde para viver no glamouroso mundo da moda, está com as contas em alta. ''Crescemos 28% em 2002. É um momento muito bom para nós.''
Metsavaht esteve em Curitiba esta semana para a inauguração de mais uma franquia da Osklen. Criador da marca que nasceu em Búzios há 13 anos, o empresário veio para cortar a fita de um empreendimento de Grazziela Fuzzo, franqueada também da VR na cidade. Em um encontro informal, recebeu a Folha para uma conversa exclusiva.
Enquanto esperava para sentar num restaurante do Shopping Crystal, Metsavath foi falando sobre como um investimento que nasceu com a criação de casacos para frio vendidos aos estrangeiros, que iam para a praia eternizada por Brigite Bardot, acabou rendendo um faturamento anual na casa dos R$ 20 milhões no ano passado. Para ele, a fórmula de seu sucesso veio de um pensamento que as marcas são universais. Não existe bairrismo para um gaúcho que deixou Caxias do Sul como médico e hoje é um criador de peças que trazem em sua essência o conceito da contemporaneidade.
''Todas as grifes são internacionais. A Osklen é eclética. Feita para quem gosta de aventura. Quem gosta de correr, tem indíces altos de aproveitamento mas não é um competidor.'' Com essa declaração, ele deixa claro por que está vivendo um momento oposto ao que muitos criadores brasileiros vivem. As roupas da Osklen têm boa qualidade, são atuais e servem para quem gosta de rodar o mundo em busca de aventura, sem perder o lado moderno.
Como exemplo do conceito imposto em suas criações, Metsavath fala de uma calça com fechos dos lados. Aberta ela pode dar um ar urbano. Fechada funciona com um astral mais esportivo.
É uma mostra de onde andam os consumidores do momento. Gente que está bem na vida, gosta de viajar e não gosta nem de ostentar e tampouco quer andar sem estilo. Os tecidos são inteligentes. Controlam a temperatura do corpo para quem usa as peças mais esportivas. As criações mais ousadas privilegiam as mulheres. Minissaias, tops, camisetas que valorizam a polaridade humana. Até o dourado pode ser visto numa peça Osklen. Um pequeno toque desenvolvido por um empresário que acredita que o momento é dos new hippies.
Voltamos assim a um período onde o bom é ser funcional. As roupas ganham várias conotações. Ao descer de um barco, o velejador busca uma roupa que possa entrar num avião e voltar para casa bem vestido. Este homem não quer sofisticação. Mas é exigente. Gosta de coisa boa. É para essa ala da sociedade que a percepção do médico que virou empresário de moda está voltada.
Durante o coquetel que abriu as portas da Osklen na cidade, os mais famosos esportistas que vivem em Curitiba estavam lá. O técnico da seleção brasileira de volêi, Bernardinho, era um deles. Mundialmente reconhecido como um fera na arte de conduzir um time vencedor, o técnico fez aparição rara em badalações. Quem apareceu foi Valdemar Nieclevicz. O alpinista também é um dos alvos da grife carioca. Vive viajando em suas expedições e adora um glamour.

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