As joias são um universo mágico. Uma caixa de surpresas e tesouros que podem transportar quem as olha ou as têm para um mundo de sonho e fantasia. Ainda criança, a mineira Ana Márcia de Albuquerque lançava mão desses objetos para criar um mundo lúdico. Única filha mulher - ela tem dois irmãos - gostava de passar o tempo fazendo bijuterias, imaginando que aquelas pedrinhas coloridas que usava tinham um valor incalculável. E tinham. Eram verdadeiras ''joias'', já que ajudaram a designer a encontrar sua vocação.
Ana Márcia é hoje uma das designers mais conceituadas do País. Depois de ser ''descoberta'' pela Rede Globo - suas peças fizeram sucesso na novela ''O Clone'' - ela ganhou o mundo exportando sua produção e foi uma das participantes de maior destaque na 49 Feninjer - Feira Nacional da Indústria de Joias, Relógios e Afins, que aconteceu em São Paulo no início dessa semana.
Aos 38 anos, grávida do terceiro filho, ela acumula cursos na área de design e ourivesaria, mas foi na prática, na infância e na adolescência, que ela começou a ter as primeiras noções de como criar joias. Quando adolescente, por exemplo, ela costumava fabricar as bijuterias para si, mas as amigas gostavam tanto que acabavam comprando. A demanda foi aumentando e o desejo de usar peças mais belas, valiosas e originais em suas confecções também. Evangélica, ela costuma dizer que a técnica que aprendeu é um ''dom de Deus''.
''Eu ainda fico espantada em ver como os 'riscos' que desenho tomam vida'', revela. Há sete anos, ela criou a própria marca, a Goldesigner, depois que suas joias ultrapassaram as barreiras das amigas e do território brasileiro. A decisão de montar a própria empresa aconteceu depois de mostrar sua criatividade na novela global. Ana Márcia conta que o fato da Jade, a personagem vivida por Giovana Antonelli no folhetim, usar as peças criadas por ela, catapultou a empresa, que começou a ser procurada por empresários estrangeiros.
A designer passou então a exportar para locais como Grécia, Holanda, Paris, Chile, Miami e Emirados Árabes e hoje seu nome é referência quando o tema é design brasileiro de joias. Atualmente, ela cria quatro coleções por ano. Na mais recente, apresentada na Feninjer, apresenta flores e laços em ouro amarelo, compondo com coloridas pedras brasileiras, as suas preferidas. ''Eu adoro as pedras brasileiras pelo inusitado da cor que elas apresentam. São verdadeiras obras de arte'', afirma.
Para ela, cada criação tem um ''coração'', uma vida capaz de despertar sentimentos nas pessoas que as usam. ''Cada joia é um desejo'', acredita. Para dar conta de desenhar e acompanhar a confecção de suas peças, Ana Márcia vive uma rotina intensa. ''Conciliar trabalho e família é algo que exige muita sabedoria e calma'', salienta. E calma, ela tem de sobra. É capaz de fechar um grande negócio com um casal de empresários, ao mesmo tempo que concede entrevistas e posa para a sessão de fotos.
Quando o assunto é a tendência para a próxima estação, ela é categórica: ''A tendência é o inusitado. As mulheres não querem mais joias para guardar no cofre. Querem peças para mostrar. Querem joias que sejam um diferencial no seu guarda-roupa''. Os desenhos que ela faz seguem essa premissa, inclusive não apenas para a sua própria marca, mas para outras bem conhecidas no mercado. ''As marcas preferem não citar o nome do designer'', diz, amenizando um ponto polêmico num mercado em que poucos se destacam.
Sobre o futuro, Ana Márcia revela que tem muitos planos. Expansão entre eles. A marca da designer já está em mais de 30 pontos de venda do Brasil (Paraná incluído), além dos países já citados anteriormente. Ampliar esse mercado é uma meta, mas focando sempre as composições e materiais inusitados. ''Quero fazer as peças diferentes do que os olhos já imaginam que existem. Quando a gente cria o inusitado, o impacto é maior'', confessa.

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